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Edição 337 - Ano 18 - Maringá, PR 
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Referência local, Feira do Produtor completa 28 anos
Em quase três décadas de história, os produtores crêem no crescimento da atividade por conta da estrutura e organização

 Imagem/Ana Luiza Verzola
 Espaço das barracas é composto por agricultores da região
Alisson Gusmão
Situado na Zona 7, região central de Maringá, o Estádio Willie Davids recebe duas vezes por semana, os integrantes da Feira do Produtor, realizada há 28 anos e que, por estar há um tempo relevante em atividade, tornou-se ponto de referência para os moradores da cidade e região.

No início, marcada por aproximadamente 15 barracas, hoje a feira conta com 140 feirantes cadastrados, frequentes conforme as temporadas de produção. Existem ainda os que aguardam vagas, segundo informa o presidente da AFPRM (Associação da Feira do Produtor de Maringá), Adeir da Silva Meirelles, 46, que relaciona esse crescimento à organização e uniformidade exigida pela associação. “Foi determinante para conseguirmos o sucesso que a feira tem conquistado. Hoje existem produtores esperando uma vaga, mas falta espaço”, diz Meirelles.

Jorge Ogassawara, 62, é um dos fundadores da associação e auxilia na coordenação da feira. Segundo ele, a parceria entre a EMATER (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), da qual é encarregado em Maringá, e os feirantes é determinante para a organização do grupo. “Oferecemos assistência técnica, com treinamentos e orientações aos feirantes, e elaboramos a lista semanal de preços, além das inscrições na associação, que são feitas diretamente na Emater”.

Todas as quartas e sábados são oferecidos produtos cultivados na região de Maringá. Segundo Bruno Uemoto, 58, feirante pioneiro, que já trabalhava na barraca do pai nos primeiros anos de feira, “a grande maioria dos produtores que compõem as barracas sempre foi de Marialva e das outras cidades da região, que têm maior área rural que Maringá”.

Os feirantes, que pagam R$ 35 mensais de taxa para manter a associação, seguem algumas regras de funcionamento. Uma delas é o sinal para dar início às vendas. Uma sirene soa às 17h nas quartas, permitindo que os comerciantes comecem a venda de produtos. Prática descartada aos sábados, uma vez que o trabalho começa bem mais cedo, por volta das 5h.

Desde o início das atividades, a feira oferece aos clientes e visitantes o sorteio de três cestas por semana, compostas por produtos vendidos nas barracas. A regra, segundo Uemoto, é que cada feirante doe uma mercadoria de qualidade para cada cesta, o que torna o prêmio cobiçado pelos consumidores.


Atrativos não são apenas os produtos


Em meio às variedades gastronômicas oferecidas na Feira do Produtor em Maringá, destacam-se também os personagens


Ana Luiza Verzola
Era manhã de sábado e, como de costume, ocorria a movimentação repetida há quase três décadas ao redor do estádio Willie Davids. Com um público que difere da feira de quarta, todos que por ali transitavam tinham um objetivo comum: levar algo para casa. Seja verdura fresquinha, dinheiro para pagar as contas ou história para contar.

Assim acontece com Delcides Navarro Barrinha, 54, feirante e piadista nato. Trabalhando no ofício há 23 anos, carrega na memória muitas lembranças de pessoas que por ali passaram. “Tinha uma senhorinha, que ninguém sabia o nome. Nós [os feirantes] a chamávamos de ‘Senhora Senhor’”, conta Barrinha, como também é conhecido pelos colegas de trabalho. O apelido, segundo ele, veio do jargão que a mulher usava na hora de vender: “Senhora, senhor, por favor, compra um pano de prato de mim!”.

Insistência essa substituída pelo caloroso “Linda! Quer comprar pano de prato?”, usado por Maria Aparecida, 54, deficiente visual e frequentadora do local desde 2002, quando saiu da feira realizada na avenida Cerro Azul às terças. Barrinha foi um dos primeiros a acolher Maria. “Quando ela apareceu por aqui eu pensei que sempre que puder ajudar, eu vou ajudar. A gente tenta fazer o bem sem olhar a quem. Não é porque você ajudou hoje que não precisa ajudar amanhã”, ressalta o feirante.

Além da “Lindeza”, como é carinhosamente chamada pelo produtor, o espaço, no dia desta reportagem ocupado por 114 barraquinhas contava também com o sertanejo embasado pela viola de José do Bonfim Batista, 54, pioneiro no local. “Ele está aí desde que começamos”, diz Antonio Cazarotto, 60, outro pioneiro da Feira do Produtor.

São 33 anos dedicados à música, com dois CDs gravados: um solo, com músicas de autoria própria, e outro em parceria com o irmão. Bonfim, nome artístico do violeiro, aprendeu a tocar o instrumento aos 21 anos, quando perdeu completamente a visão. Na família, quatro irmãos têm a mesma doença, hereditária, responsável pela cegueira gradativa: retinose pigmentar – inclusive o outro componente da dupla, João Batista.

“O fato de vir aqui me distraí, dá para ganhar uns ‘troquinhos’, que não faz mal a ninguém”, diz o artista. Nem a chuva o impede de fazer o que gosta. Na manhã chuvosa, o músico autodidata se mostrou prevenido: sentado, abriu um grande guarda chuva e amarrou-o à perna direita para servir de apoio, enquanto as mãos se ocupavam das notas musicais e a voz anunciava mais uma moda de viola.

Se o objetivo é distração, as “celebridades” vão além, distraindo e encantando quem já agregou a ida ao estádio como parte da rotina. “Eles são divertidos, são engraçadinhos”, diz a estudante de ensino médio Amanda Michaltchuk, 15, entre uma mordida e outra da também popular atração do local: o pastel de feira.

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