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Edição 337 - Ano 22 - Maringá, PR 
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Em nome do Furo
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Em nome do Furo
Maldita hora em que fui aceitar aquele serviço. Sabia que era jogo sujo, confusão na certa, mas não pude resistir

 Imagem/Rosane Barros
 Ariádiny faz questão do sobrenome e acha que tem mais de 20
Ariádiny Rinaldi
Meu corpo lateja de dor, o tom cinza da parede me asfixia e o gosto de ferrugem do sangue embrulha o meu estômago. Com dificuldade vejo o meu reflexo através do espelho falso. O que será que eles estão tramando do outro lado? Quantas horas já se passaram?

Tento reorganizar meus pensamentos para entender como vim parar nesta sala fria. Maldita hora em que fui aceitar aquele serviço. Sabia que era jogo sujo, confusão na certa, mas não pude resistir.
Um homem de terno abre a porta e caminha até a minha direção. Com o semblante rígido, ele apoia um dos pés sobre a cadeira e acende um cigarro. Passa a mão pela cintura e afasta o paletó, deixando à mostra o revolver calibre 38. Sinto o suor escorrer pelas minhas mãos acorrentadas e tento disfarçar, não quero parecer amedrontado. Ele olha fixo nos meus olhos e começa:

- Conheço bem gentinha como você, pensam que sabem de tudo e saem por aí disseminando discórdia e polêmica. Sempre cometem os mesmos erros.

-Quando eu vou sair daqui?
– perguntei, aflito.

- Deixa eu te dizer uma coisa: você pode não estar acostumado, mas aqui quem faz as perguntas sou eu.

Ele exala a fumaça no meu rosto e continua:

- O mínimo que vagabundos como você têm obrigação de saber é respeitar o Código - diz ironicamente. Por que fez isso?

- Me prometeram uma boa grana e visibilidade.

- Quem é o mandante?

- Não sou um delator, na realidade odeio dedo-duro. Não vou te dizer nada.

- Então eu acho que você gostaria de ler isso novamente.


Ele joga o jornal sobre a mesa e acende outro cigarro. Eu olho a reportagem com remorso. Que ironia do destino, amanhã sou eu quem vai estar nas manchetes.

- Você foi acusado de homicídio doloso. Tem ciência da quantidade de pessoas que foram atingidas com esse assassinato?

- Já mataram e torturaram em troca de uma falsa democracia, até mesmo por salvação.
(tento me desculpar, mas ele cai na gargalhada).

- Eu só queria transformar aquilo em algo mais interessante. Se eu não topasse outro iria aceitar e...

Ele dá um murro na mesa e berra:

- Não tenho tempo para brincadeiras, desembucha logo quem é o cabeça?

(Fico em silêncio e ele tira a arma do bolso).

- Fala seu jornalista de merda! – diz, apontando o 38 para a minha cabeça.

- Aperta o gatilho e acaba logo com isso. Perdi meu emprego e estou sem credibilidade. Errei, assumo a culpa. Matei a Ética em nome do Furo.

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