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Edição 337 - Ano 18 - Maringá, PR 
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“Já sonhei que jogava na seleção com o Pelé”
Roderley Geraldo Oliveira, ex-jogador de futebol, diz acreditar que Maringá voltará a ter bom time e critica boleiros

 Imagem/Walter Fernandes
 Roderley diz sentir falta do calor da torcida de Maringá
Roderley Geraldo Oliveira, ex-jogador de futebol, diz acreditar que Maringá voltará a ter um bom time e critica os boleiros
Bruno Gerhard
Com a expressão tranquila de uma carreira bem sucedida e muitas lembranças do tempo em que era zagueiro nos campos de futebol, Roderley Geraldo de Oliveira, 69, trabalha hoje como incentivador de jovens jogadores em Maringá. Tetracampeão paranaense e corintiano de coração, Roderley iniciou a carreira motivado pelo primo Diógenes (ex-jogador do São Paulo), no time juvenil do Nacional, da capital paulista. Segundo Antonio Padilha Alonso, que escreveu o livro “Roderley: na grande área da saudade”, contando a história do jogador, ele ficou marcado por uma técnica apurada, mas principalmente por demonstrar muita garra. Roderley chegou ao futebol paranaense em 1960, quando foi contratado pela Associação Esportiva de Jacarezinho (distante 260 Km de Maringá). Até encerrar a carreira, em 1970 no Apucarana Futebol Clube, foi duas vezes campeão estadual jogando pelo Grêmio de Esportes Maringá e mais duas jogando para o time do Coritiba Futebol Clube. Depois de deixar o esporte, abriu uma loja de tintas, foi auxiliar técnico do MEC (clube de futebol da cidade de Medianeira, distante 350 km), passou a ser comentarista esportivo de rádio e, hoje, além de ter um programa radiofônico, trabalha como tutor de jovens jogadores no futebol maringaense. O paulista Roderley relembrou jogos inesquecíveis, partidas contra o “rei” Pelé, falou da popularidade que tem na cidade e mostrou em entrevista concedida ao jornal Matéria Prima, o desagrado com os boleiros.

No Paraná você teve uma carreira vitoriosa, foi tetracampeão estadual. Tem algum jogo que se tornou inesquecível para você?
Tem vários jogos inesquecíveis, mas um que marcou a minha carreira de atleta foi uma partida que joguei na Alemanha, contra o Borrusia Dortmund. Na época eu defendia o Coritiba Futebol Clube e fizemos uma série de jogos na Europa, mas esse jogo em especial me marcou pela dificuldade da partida. No fim, empatamos em 2 a 2. Mas acredito que essa partida ficou guardada, pois ao término, os jornais alemães me consideraram a principal figura em campo e, após o jogo, fui sondado para jogar pelo Borrusia, mas o Coritiba, que ficou de estudar a proposta, acabou não concretizando a transação. Jogando pelo Grêmio, além das finais do estadual, lembro das partidas em que vencemos as seleções da Rússia [3 a 2] e da Romênia [2 a 1], no Willie Davids. Outra partida que me marca muito, onde o Coritiba, trajando o uniforme da seleção paranaense, jogou contra a Seleção Brasileira e eu marquei o Pelé. Foi inesquecível e apesar do Brasil vencer por 2 a 1, o Pelé não marcou nenhum gol diante da atuação impecável que eu tive, marcando com muita eficiência e com muita cátedra, o rei do futebol. Eu fui muito elogiado. Na segunda feira, o jornal O Estado de S. Paulo me classificou como o melhor jogador em campo. Isso naturalmente marca e indiscutivelmente nos deixa orgulhosos de fazer alguma coisa importante no passado, para que hoje a gente possa ter um pouco de história para transmitir para essas novas gerações.

Você jogou algumas vezes contra o Pelé. Inclusive, no jogo que ficou marcado para Maringá, em que o Grêmio perdeu por 11 a 1 do Santos. O que aconteceu naquela partida?
Aquela partida entre Grêmio Maringá e Santos Futebol Clube, no ano de 1964, que marcou como o maior acontecimento esportivo dentro da cidade de Maringá, não representa vergonha e nem demérito para mim, uma vez que, antes da partida, coisa que muita gente não sabe, foi estabelecido entre os dois treinadores que nós estávamos proibidos de fazer falta em qualquer jogador do Santos. Se fizéssemos qualquer tipo de falta, o Lula [Luís Alonso Peres, então técnico do time paulista] prometeu retirar de campo os 11 jogadores titulares e colocar os onze reservas. Antes da partida, o nosso treinador fez uma preleção, pedindo para que o Zuring [jogador do Grêmio] marcasse o Mengálvio [jogador do Santos]. Eu, imediatamente, pedi para que o Zuring marcasse o Pelé no meio de campo, enquanto estivesse com a bola, e depois eu marcaria ele para neutralizar as jogadas ofensivas, naquela fatídica e tradicional tabela entre Pelé e Coutinho. Ele me atendeu e deu cértissimo. Apesar do Santos estar vencendo por 2 a 1, Pelé não fez gol no primeiro tempo [os gols foram marcados por Coutinho e Peixinho para o Santos e Edgar marcou para o Grêmio Maringá]. Porém, no intervalo do jogo, nosso treinador insatisfeito com o 2 a 1, faltou naturalmente muita humildade, pois 2 a 1 era um resultado da mais alta importância para as nossas pretensões, resolveu mudar, fazendo com que o Zuring atendesse às exigências e abandonou realmente aquilo que nós reorganizamos com sucesso. O segundo tempo foi uma catástrofe. O Santos fez nove gols em função dessa mudança e, sem fazer falta, naturalmente não há força no universo que conseguisse um resultado satisfatório conta aquele Santos. Aconteceu conosco o que aconteceu com muitas outras equipes e 11 a 1 foi o resultado final. Essa é a verdadeira história, que muita gente desconhece daquela tão lembrada partida.

Enquanto jogador, você era muito reconhecido. Hoje, como você é tratado pelas pessoas nas ruas?
Muitas pessoas me conhecem. Aonde eu vou alguém sempre me chama: ‘ô Roderley, ô Roderley’, eu tenho minha popularidade graças ao que eu fiz pelo futebol de Maringá. O que falta é o reconhecimento das autoridades. Eu gostaria de mais reconhecimento. Porém, eu fico pensando: não fiz mais do que a minha obrigação, eu era pago para fazer o que eu fazia. Eu acredito que ter optado por ficar em Maringá, quando eu poderia ter voltado para São Paulo [onde mora a família do ex-jogador] ou Curitiba, também fez com que minha popularidade permanecesse aqui. O relacionamento maravilhoso que eu tenho com a população maringaense, esse calor humano que sempre tive, permanece.

Por falar em calor humano, você ainda sonha com as partidas que jogou ou que gostaria de ter jogado e sente falta da torcida gritando seu nome nos estádios?
Sonho. Sonho coisas grandiosas. Eu já sonhei que jogava na seleção com o Pelé, já fiz gol em final, sonhei com os aplausos que eu já recebi por aqui [longa pausa]. Quando acordo, naturalmente gostaria que fosse real e que o sonho continuasse se perpetuando, mas a realidade é totalmente outra. Vivi momentos de muita alegria, os momentos de glória que eu ofereci para o torcedor, recebo de volta até hoje com muita gratidão. Sinto muita falta da torcida gritando meu nome e de mostrar garra e seriedade com muito profissionalismo para esse povo.

Já que a realidade é totalmente diferente dos sonhos, qual sua perspectiva em relação ao futebol de Maringá?
Eu sou contra as coisas erradas do futebol e eu gostaria de sonhar e ver esses sonhos se tornarem realidade. Quero ver o dia em que o futebol de Maringá voltará a ser grande. Acredito que isso vai acontecer, mas quero ver os atletas que vierem para cá, conseguirem fazer o mesmo que muitos de nós [jogadores] fizemos: se entrosar, se enturmar com a família e com a sociedade de Maringá, para que no futuro, Maringá tenha um número maior de jogadores que por aqui passaram e por aqui ficaram, pois no patamar em que estamos, o cara vem, pega o que é dele e vai embora. Infelizmente a cidade fica sem história, porque os elementos não permanecem para narrar e testemunhar o que aconteceu, assim como estou testemunhando coisas que aconteceram ha mais de 40 anos.

Para tentar mudar esse cenário, o que você acredita que pode ser feito?
A lei mudou, muitas coisas se transformaram a favor de empresários e de oportunistas. A lei Pelé tira do clube o direito de comercializar o jogador. Você trabalha em cima das categorias de base e automaticamente o boleiro, bandido, o oportunista, o mercenário, o desonesto vai até a casa do garoto na calada da noite, convence o pai que vai levar para um time grande e rouba daquele que trabalha, que investe e faz um tremendo sacrifício para formar, além do caráter do filho do cidadão, um craque. Ou seja, ele [o boleiro] apunhala aquele que trabalha para formar o futuro do garoto. Esses péssimos olheiros, empresários e oportunistas levam as crianças para outros clubes, roubam de quem investiu, de quem trabalhou e o futebol, naturalmente, vai tirando a motivação do formador, aquele que se dedica realmente para formar algo em termos de futuro para a nossa juventude. O jovem não precisa realmente se tornar um jogador, pode ser que não dê certo, mas o formador não ensina o jovem a ser apenas um mero jogador. Acima de tudo, o formador o ensina a ser homem e a enfrentar a vida.

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