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Edição 337 - Ano 19 - Maringá, PR 
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Uma crônica qualquer que não diz muito
Sem dizer absolutamente nada, ele demonstra em sua falta de inspiração, mais interesse e complexidade do que outros

 André Koehne/ Commons
 
“Um estudo divulgado pelo Nube (Núcleo Brasileiro de Estágios), que é um centro de recrutamento e seleção de estagiários, indicou que os estudantes de Comunicação Social têm pior desempenho na escrita do que os universitários da área de exatas, como Engenharia, por exemplo. No levantamento, os engenheiros obtiveram a melhor avaliação e 87,5% conseguiram passar nos testes. Entre os alunos dos cursos de Comunicação, 65,3% foram reprovados.”
Comunique-se (www.comunique-se.com.br), publicado no dia 22 de setembro de 2011.

Jefferson Aranda Lessa
Ah, primeira linha. As primeiras palavras. A ideia que, quem sabe, virá. E a “envergonhada” construção do primeiro parágrafo, que possivelmente não dirá muito. Quem foi o louco que disse que sempre temos algo para dizer, afinal? Onde está o prazer do silêncio? Da busca por ideias, por palavras?

Mas isso não basta, é claro. Será necessário conteúdo, por mais difícil que seja encontrá-lo. Talvez reste pouco para se gastar em um texto como este. A solução é flertar com o vazio, talvez com a poesia, buscando assim uma solução para minha escrita.

Dúvida. Palavras foram apagadas neste parágrafo, e eu não sei mais o que havia escrito. É porque o que eu havia escrito era absolutamente...absolutamente o que? Sei lá! Não sei mesmo, ou talvez eu até saiba, o que eu escrevi de certo era besteira.

Voltando para o texto. Este segue em passo de tartaruga. Estou vivendo um enfermo de ideias, uma ausência total de inspiração. Não é por desleixo ou falta de vontade. Penso nos meus textos diariamente, mas não escrevo. Será que falta algo que me estimule ou me obrigue a escrever?

Posso tentar mudar de assunto, mas não acredito que essa seria a solução para a melhoria do texto, ou da minha situação. No fundo aquele parágrafo é um pouco como a vida, cheio de dúvidas e indagações sobre qual deve ser o próximo passo a ser tomado. E talvez contenha uma pitada de arrependimento.

Certa vez um amigo meu me disse que as palavras omitem muito mais do que revelam. E é isso que me faz deixar todo e qualquer arrependimento de lado. A busca pelo significado das coisas, do que está implícito, é isso que me motiva e me faz continuar escrevendo. Talvez eu nunca consiga descobrir metade dos significados perdidos das palavras. Mas quem liga? Eu não. Gosto disso.

Não sei qual vai ser o último parágrafo. Sei que este que você está lendo já foi reescrito cerca de 15 vezes. Toda vez que tento reler o texto, sofro uma interrupção. A busca pela certeza corrói o bem estar de qualquer pessoa, mas eu estou aprendendo a ignorar essas dúvidas.

Afinal, eu mudo ou não mudo meu texto?

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