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Edição 337 - Ano 15 - Maringá, PR 
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“Tribuna da Massa” massifica a família
Atração se intitula o melhor programa jornalístico do Paraná em meio a publicidades e encenações do apresentador

 Montagem sobre imagem
 
João Paulo Pugin
O horário do almoço é, tradicionalmente, o momento em que as emissoras locais destinam a programação aos telejornais com as notícias da cidade e região. Maringá, por sua vez, dispõe de uma atração comandada por Augusto Canário, apresentador/comentarista/publicitário, que se destina a informar a “família paranaense por meio do melhor programa jornalístico da televisão”, segundo ele. O “Tribuna da Massa” é veiculado de segunda a sábado entre meio-dia e 14h, pela Rede Massa, emissora afiliada ao SBT e de propriedade de Carlos Massa, o popular Ratinho.

As frases humildes, por diversas vezes repetidas, variam de transformar quem assiste ao programa no “telespectador mais bem informado da história do Paraná” até a marca registrada de Canário: “se você tiver coragem e tempo de assistir, eu tenho coragem e tempo para mostrar.”

Tempo é mesmo o que não falta. Em quase duas horas de duração, há espaço para inúmeras ações publicitárias, reforçadas pelas declarações do apresentador como “eu já provei” e “eu tenho lá em casa”. Se as donas de casa precisarem, há ainda a opção de ganhar um carrinho de supermercado cheio de produtos de uma única marca. Basta apenas responder quantos itens há no carrinho e reforçar os laços sentimentais com a atração, respondendo “o nome do programa que respeita a família maringaense”.

Respeitar a família em seu horário de almoço é algo que o “Tribuna” faz de uma maneira singular: traz os casos mais escabrosos das delegacias da região, com direito aos pedidos de justiça do apresentador. Quem disse que abandonaram a velha fórmula de sujeitar os repórteres a entrevistar os suspeitos de tráfico e os suspeitos da cidade vizinha? Não é isso que a família precisa para se ter respeitada pela mídia? Afinal, as conhecidas trilhas de filmes de Zé do Caixão dos anos 1970, colocadas sabiamente pelos editores como fundo musical às costas dos suspeitos, ajudam a dar o clima da reportagem.

A situação tem início após as batidinhas de Canário na televisão, acordando o editor para exibir a reportagem, algo mais copiado que novela das 8, e chega ao clímax quando o apresentador se dispõe a dar a “palavra de sabedoria”. Abrem-se as cortinas para o grande espetáculo: tem encenações, braços e pernas levantados proposital e involuntariamente, até os termos singelos para definir os “assassinos de milhões”, assim chamados os suspeitos de tráfico de drogas.

Se os governantes são lembrados por suas iniciativas em plena época eleitoral, para prevenir contra a dengue ou apresentar as vagas de emprego, que dizer das instituições públicas que não têm seu nome na interminável lista dos anunciantes do programa? Para tais, estão reservadas críticas severas, como aos vereadores, cujas declarações polêmicas são reforçadas e repetidas na tela, para, segundo Canário, “mostrar que não temos nada a ver com isso”.

O programa, que faz o favor de informar as horas na tela e simultaneamente, com o auxilio do apresentador, vangloria-se como “o primeiro lugar em programa jornalístico”, ignorando quaisquer pesquisas de institutos medidores de audiência. Para quem ainda duvida que o diploma universitário seja indispensável ao exercício da profissão de jornalista, basta acompanhar o respeito, o show de atuação, o mundo comercial e a sede de justiça do “Tribuna da Massa”. Afinal, como Canário mesmo faz questão de reforçar: “a família paranaense merece um programa como o Tribuna”.

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