Literatura | Edição #483 - 02/07/2018

Meia saudade e semi adeus para você,JMP

Uma estudante que não é fã de escrever, mas pegou gosto no aprender

Janaína Lopes
Estudante de Jornalismo

Imagem/ Arquivo pessoal [1]

Imagem/ Arquivo pessoal

Desespero no jornal-laboratório! É quarta feira meio-dia e o texto ainda não está pronto. A boca diz: “Estou quase desistindo de entregar hoje”. A consciência rebate: “vai perder 50% da nota”. No fim, não foi por nota ou por obrigação. Foi por gratidão de poder aprender com a Sra. Firme – e não grossa.

No início, não fazia ideia de onde estava me enfiando. Sabia que seria uma grande experiência, já que escrever não era o meu forte.

Por várias vezes a turma faltou com o compromisso que tinha. Não esteve atenta – possível perceber pela caixa de e-mail com os erros que se repetiam continuamente nas edições. Horas aulas lendo texto por texto, fazendo do Word “o corretor” e cada palavra em vermelho era sinal de alerta para não cometer os mesmos delitos da escrita.

A maioria da sala disse no primeiro dia de aula: “Faço jornalismo porque gosto de escrever”. Quando chega a hora do Word Corretor, vejo que até eles não sabiam ao menos colocar uma citação correta. Então, durante o percurso você se encontra em uma crise existencial no meio do projeto de uma Redação, que é uma realidade futura sendo testada no tempo presente e que você não sabe o que está fazendo da vida.

Este laboratório foi aprendizado para todos. Ninguém escapou do olhar criterioso da Sra. Firme.

De verdade, se eu não amasse tudo isso, já teria desistido. Procura pauta. Marca com o entrevistado. A pauta caiu. Esse título não vai dar. Essa linha-fina não tem ligação com o texto. 36 a 40 toques, e sim, conta com os espaços.

“TÁ MALUCO! É COISA DE GENTE DOIDA.”

Foi por gratidão de poder aprender com a Sra. Firme – e não grossa

Lemos pontos de vistas com comparações sensacionais. Sim, claramente, tivemos muitos textos à moda Fernando de Noronha (trata-se de uma piada interna pra demonstrar que nem todos escreviam pensando realmente em jornalismo), mas muitos temas que nos fizeram sair do comodismo.

Queríamos colocar para fora o que estava inquieto dentro de nós. Mas até pra isso precisava ser dentro de uma estrutura de texto jornalístico. Exaustivo. Instigante. Desafiante. Apaixonante. Mas em estilo Copa do Mundo com a seleção do Brasil, “Se não for sofrido, não é brasileiro”.

Todo esse tempo produzindo textos para o JMP foi uma provação, tempo de descoberta, de reencontro com o próprio eu, jornalista. E é por meio de (e não através) que esta é a chamada: semi despedida. Que continue o legado de entrevistas, crônicas, crítica, coluna do ombudsman e artigos. Quem sabe eu não apareço por aqui de novo, mas dessa vez, sendo alvo de uma “entrevista rápida. Só umas três perguntinhas, que não vão tomar nem 10 minutos do meu tempo”. É, já conheço bem! Mas por que não?.  Voltar aqui é voltar à raiz e ver a evolução como fruto do jornal-laboratório. Este é um semi adeus ao Jornal Matéria Prima – confesso que emocionada- com muito orgulho e agradecida de uma aspirante a jornalista.


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
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