Literatura | Edição #483 - 02/07/2018

Ainda não aprendi a dizer adeus; mas chega a hora

Entre histórias que vêm e vão, o JMP é despedida e também recomeço

Adevanir Rezende
Estudante de Jornalismo

Ao leitor, um sincero pedido de perdão. Para uma última vez, decidi escrever para mim mesmo. Só me falta decidir para qual de mim, se aquele do passado, se para o presente inconsciente ou ao futuro desconhecido. Conheço todos eles, mas tenho dúvidas de nossa intimidade.

Sendo assim, o que resta é pensar um pouco sobre cada um. Infelizmente, não acredito que os caminhos possam ser mudados e, o que tento em vão, é estar senciente do espaço-tempo e das relações pessoais capazes de ultrapassar barreiras físicas.

No passado, mesmo tão claramente limitado, soa infinito em si mesmo. Não sei para quando iria e por qual motivo. Quem sabe, ter nostalgia pela infância e pelas despreocupações. Talvez, aproveitar melhor aquelas calmarias antes das tempestades.

Mesmo à noite que escolhi mudar a minha vida e, diante de uma comoção gigantesca, seguir um novo caminho com grandes histórias que me trazem brilho ao olhar. Tantas capilaridades, muitos disparates, ainda assim, um único caminho.

Em um presente que vai ficando para trás, o imediatismo e a urgência de cada semana para buscar novas histórias que ajudaram a moldar a minha própria. Conheci e conversei com pessoas incríveis, me decepcionei com outras tantas. Acima de tudo, aprendi e ouvi. Com isso, pensei, refleti, escrevi… disse. Por esse caminho, tantos sentidos e emoções.

Tantas capilaridades, muitos disparates, ainda assim, um único caminho

A ideia de ser justo com uma história, com a informação, com o debate, a livre expressão e a cidadania estão acima de qualquer valor de nota que pudesse ser atribuída. Antes de nota, valores. Isso aprendi e senti com a experiência do Jornal Matéria Prima e, especialmente, com aquela que me tornou aprendiz. Um sincero obrigado e que, para sempre, uma memória de transformação.

Caso seja ao futuro, então ainda não saberia como destacar o mais importante entre fatos. Acima de tudo, nunca esquecer. O passado pode doer, mas podemos fugir dele ou aprender com ele. Os conselhos de Rafiki em O Rei Leão nunca ficarão ultrapassados, isso garanto.

Um último desejo e vontade, enquanto aceito a despedida oficial deste canal, é justamente aprender a aceitar, a sentir, a dizer adeus. Em meio às linhas cronológicas, não quero saber mais de passado, presente e futuro separados. Os quero juntos, mesmo que nunca alcance. Meu desejo é unir minhas memórias, o amor envolvido por tantas pessoas em minha própria história, um último abraço em meu pai para poder contar sobre tudo e todos, e nossa despedida não para ser triste, mas sim um leve aceno de cabeça para significar realização. Obrigado.

Aos amores que vêm e vão, em seu caminho deixam rastros e marcas, o tempo é um tempero a mais sobre nossas almas. Todo o amor para aqueles que são de verdade, onde quer que estejam. Não aprendi a dizer adeus, mas sejamos então felizes.

Imagem / Arquivo Pessoal

Imagem / Arquivo Pessoal


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
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