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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Crítica de Mídia | Edição #482 - 18/06/2018

O sensacionalismo nosso de todos os dias

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Marieli Rossi
Estudante de Jornalismo

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Imagem/Pixabay

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Toda profissão exige regras de conduta e a dos jornalistas não é diferente. Criado em 1949, o Código de Ética dos Jornalista é, ou deveria ser, algo que todo profissional da área teria que respeitar.

O código deixa claro que “o jornalista não pode divulgar – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes” (Art. 11, inciso ll). Se perguntarmos para os jornalistas como se deve agir, a resposta é quase unânime: com ética e respeito, é claro. Mas será que, na prática, realmente é assim? Infelizmente, não. Um ótimo exemplo é o programa Balanço Geral (RICTV) muito conhecido, e chama atenção pelo “caráter expositivo” que dá às notícias.

É decepcionante perceber que o sensacionalismo já não é mais falta de qualidade nos meios de comunicação, pelo contrário. Esse tipo de prática é bem aceita no jornalismo atual. O que mais desestimula é perceber que não pode culpar unicamente os meios de comunicação, nem propor que tenham pouco conteúdo relevante, uma vez que assuntos de interesse público há aos montes. Então quem poderá ser o responsável pelo sensacionalismo explícito? A resposta mais viável seria: todo mundo.

Essa prática não é um fenômeno isolado e peculiar. Faz parte de um processo histórico e cultural.

E hoje não é muito diferente. O jornalismo sensacionalista se caracteriza quando uma notícia transmitida rende mais algumas matérias. Se considerarmos a teoria da Agenda Setting, a mídia seleciona e transmite assuntos que considera de interesse público, além de levar em conta o retorno sobre os fatos divulgados. Afinal, se o assunto não é atraente para o alvo, a audiência deixaria de existir. Sendo assim, é perceptível certa preferência pela tragédia e pelo drama, tanto por parte da mídia quanto dos receptores.Essa prática não é um fenômeno isolado e peculiar. Faz parte de um processo histórico e cultural. O sensacionalismo que conhecemos hoje, veio da França entre 1560 e 1631. Nessa época existiam os “occasionnels”, publicações extremamente baratas com acontecimentos que chamavam atenção e tinham potencial de mexer com a imaginação do povo francês.

Desse modo, o sensacionalismo se tornou, infelizmente, uma ferramenta indispensável para o jornalismo atual.  Para o bom entendedor deixa de ser jornalismo. É entretenimento pelo formato surreal, porém somente se o espectador for capaz de perceber.

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