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Literatura | Edição #481 - 11/06/2018

O preço que você paga para ser aceito

Vivemos em busca de ser alguém quando na verdade já somos

Bia Fortunato
Estudante de Jornalismo

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Foto: Amanda Watanabe

Foto: Amanda Watanabe

Faculdade. Falta menos da metade. Ano que vem acaba e já vamos estar prontos para “ser alguém na vida”. Pelo menos é o que dizem: “Estude para ser alguém na vida”.

É comum ver notícias de jovens estudando mais de 15 horas por dia, trancados num quarto, comendo mal, dormindo mal para fazer uma prova que até quem a elabora tem dificuldade de resolvê-la. Já vi gente com úlcera por reprovar em alguma disciplina, por não tirar a melhor nota ou por não conseguir o emprego que tanto queria. Se todas essas coisas listadas fossem alcançadas muitas pessoas diriam: “Parabéns, agora você é alguém na vida!”. Quem disse que é?

Já vi gente aos 20 anos ser milionário e gente que ainda nem conseguiu se livras das espinhas; gente que não tem a menor ideia se quer seguir a profissão que escolheu aos 17. “Mas quando conseguir vai ser alguém na vida”. Não é?

Abrimos as redes sociais e somos atropelados pelas fotos perfeitas da blogueirinha do momento. A barriga negativa, a bunda sem estria e sem celulite, o cabelo perfeito. A gente se cobra, se culpa e se mata pra tentar tirar uma foto igual a última que ela postou no Instagram porque aí “a gente vai ser alguém na vida”. Não vai?

Ser alguém na vida não é algo que você está, é algo que você é

Depois de provar pra todo mundo que não acreditou em você, que você consegue, vai se sentir satisfeito, não é? Quando você pegar o diploma e tiver o mesmo peso que aquela blogueira ou quando arranjar um namorado pra postar foto juntos, você finalmente vai ter certeza de que é alguém na vida, não vai? Não. Não vai.

Talvez algumas dessas situações tenha doído em você. Mas eu não te condeno, em muitos momentos dói em mim também. Eu não tenho vergonha de admitir isso. Não devemos nos envergonhar de sermos humanos. Mas não dá pra ser assim o tempo todo. Precisamos nos libertar. O que faz a gente ser alguém não vem de fora. Vem de dentro.

Identidade não tem a ver com o que você conquista, não tem a ver com status, nem com diploma e muito menos com aparência. Identidade não tem a ver com nada do que qualquer pessoa desse mundo acha sobre você. Ser alguém na vida não é algo que você está, é algo que você é. Ao contrário do que pensa, você não precisa ganhar nada, precisa perder. Perder o medo, perder o orgulho. Precisa perder-se para se encontrar.

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