Literatura | Edição #483 - 28/06/2018

Malabarismo de toques até ter um título

O encaixe perfeito de palavras que pode ser mais difícil do que parece

Gabriela Medrano
Estudante de Jornalismo

WhatsApp Image 2018-06-26 at 19.16.00Típico dia repleto de compromissos e eu, como sempre, deixando tudo para última hora. Como se não soubesse há uma semana que tinha este texto para publicar.

Que ódio! Mais uma vez estou sem criatividade, a mesma que se esqueceu de aparecer na minha primeira crônica, publicada neste mesmo jornal.

E agora, como rechear as próximas 25 linhas? Já me sentei e me levantei da cadeira umas quatro vezes – e nada. Sem inspiração. Faltam algumas horas e já estou em desespero.

“Preciso de música”, pensei. A sucessão de batidas me levou a alguns recantos da memória, e lá estavam: as lembranças.

Poder me manifestar no Jornal Matéria Prima me fez perceber que amo mais essa profissão a cada dia que passa. Não nego que passei muita raiva quando saía à rua em busca de uma história inédita, mas me confundiam com testemunha de jeová. Também quando misturava os idiomas por causa do longo período em que vivi na Espanha.

A sucessão de batidas me levou a alguns recantos da memória

Mas o pior de tudo foi quando um entrevistado, dessa vez para o Projeto Integrador, não estava no local e na hora combinados (lá na puta que pariu). Pensei: “cadê esse homem?”. Aí, no melhor estilo “O que é um peido pra quem está cagado?”, relaxei e terminei o dia tomando pinga com o caseiro dele.

Amei aquele dia. Disse anteriormente e repito de novo: amo essa profissão.

Mais uma vez veio o gostinho de prazer. Demorou um ano, mas consegui escrever um texto realmente bom e o tão esperado elogio da Rosane. Esse dia fui dormir contente, porque outros dias de entrega de texto já conseguiram arrancar minhas lágrimas. Política não é minha área, por exemplo, e a ideia de desistir já passou constantemente pela minha cabeça – acredito que não só na minha. Quem diria que estaria neste exato momento escrevendo meu último registro no JMP. Até então, minha ficha não estava caindo.

E eu realmente vou sentir saudades dos toques minuciosos, das correções em sala e de conhecer pessoas para registrar um pedacinho da história delas.

Cansativo, estressante. Porem gratificante. Obrigada, Rosane, e obrigada JPM por ceder alguns espaços para que, por meio de linhas e toques, eu pudesse me expressar.


Artigo impresso de Jornal Matéria Prima:
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