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Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #483 - 28/06/2018

Carta de adeus ao Jornal Matéria Prima

Despedida a um dos responsáveis pelas minhas lágrimas e pelos meus sorrisos

Bia Fortunato
Estudante de Jornalismo

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JMP marcou e mudou a minha vida. (Arquivo pessoal/ Bia Fortunato)

JMP marcou e mudou a minha vida. (Arquivo pessoal/ Bia Fortunato)

Minha vida sempre foi cheia de despedidas. Me despedi do estado em que nasci, da casa em que vivi minha infância, da escola em que conheci meu primeiro amor. Despedi-me de pessoas, lugares e de momentos. Hoje me despeço de você, o jornal online que mais amei/odiei postar meus textos.

Crescer é deixar partir, como no dia em que me despedi da minha família para morar sozinha em outra cidade, atrás do grande sonho de ser jornalista. Naquele dia eu não sabia, mas me despedi de uma fase da minha vida, da minha infância, da minha casa. Mesmo sabendo que no próximo fim de semana eu estaria em casa eu nunca mais iria voltar para lá definitivamente.

E hoje eu me despeço de mais uma etapa da minha vida. Antes de mais nada eu quero pedir desculpas. Durante um ano e meio eu reclamei de você. Todos os domingos era dia declarar meu descontentamento em ter que postar meus textos. Sempre dizia que não via a hora de deixar de publicar aqui, e esse dia chegou mais rápido do que eu imaginava.

É por isso que eu estou te escrevendo, porque para minha surpresa eu já estou com saudades de você. Nosso relacionamento conturbado me fez crescer e me preparou para muitas situações que enfrentarei daqui pra frente.

Para ser bem sincera nem acredito que já está acabando. Há alguns meses eu dizia “Falta muito pra terminar essa chatice de Jornal Matéria Prima?”. Hoje vejo quanta coisa eu aprendi em pouco tempo, todo meu estresse e desespero me faz rir. Como a gente muda!

As histórias que pude contar foram valiosas para minha formação como ser humano

Você fez parte de um período muito importante para mim, apesar de nunca ter admitido isso. Foi durante as correções que eu aprendi a aceitar críticas e puxões de orelha. Cada rabisco de caneta vermelha me fez entender que eu posso sempre melhorar. Foi por meio de você que descobri não ter problema de coração, porque, olha, muitas pautas caíram e eu tinha de correr contra o tempo para encontrar outra e produzir um conteúdo de qualidade. Você me ensinou que preciso conduzir o ritmo das entrevistas, que título com pergunta é feio e que preciso sempre ter provas para argumentar. Me mostrou que uma ideia maluca pode render boas notas e que textos “Fernando de Noronha” não me acrescentam em nada.

A primeira vez que precisei entregar um texto fiquei mais nervosa do que quando falei pela primeira vez com meu namoradinho de infância. Ninguém nunca tinha corrigido um texto meu na frente da sala. Mas valeu a pena cada crítica, cada observação valeu a pena! Hoje me sinto muito mais confiante de escrever o que penso.

Não vai ser fácil te deixar, mas ainda sim estou feliz. O que você me trouxe é muito mais do que todas as notas que eu recebi. Todas as críticas, os elogios e as broncas me fizeram crescer. As histórias que pude contar foram valiosas  para minha formação como ser humano. Me sinto muito sortuda de poder ter tido essa experiência.

Obrigada por tudo, JMP. Vou sentir sua falta. Termino esta crônica com uma citação de Charles Chaplin que diz muito sobre nosso tempo juntos. “Não chore nas despedidas, pois elas constituem formalidades obrigatórias para que se possa viver uma das mais singulares emoções da vida: O reencontro.”

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