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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Crítica de Mídia | Edição #479 - 21/05/2018

Mídia, a indústria de vender violência

A imprensa vem usando do medo e da insegurança para vender seu produto

Bia Fortunato
Estudante de Jornalismo

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A mídia tem grande influência na sociedade, e através dela são criadas culturas, formas de agir e pensar. Há tempos a imprensa vem espetacularizando a tragédia humana, tirando vantagem do interesse que desperta nas pessoas. Fatos violentos, reais e, porque não até fake news continuam sendo explorados como um meio de atrair o público. Nada tem mais acesso do que as páginas policiais. A violência desperta curiosidade por demonstrar uma ameaça e a mídia atua explorando a fragilidade humana e estimulando a insegurança e o medo.

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em 2015 o Brasil registrou 59.080 homicídios, que nosso país vive em estado de extrema violência é inegável, as taxas de homicídios são altas, porém é necessário pensar que por trás de notícia existe o interesse comercial de um veículo de comunicação.

A imprensa vem espetacularizando a tragédia humana

 

A violência também é um produto estimulado pela mídia. Quem pode nos garantir que a violência não está sendo patrocinada por anúncios de empresa de segurança privada, vendedores de câmera de vigilância e seguradora de bens?

O maior exemplo disso está na região de Porto Alegre (RS). Não é só porque esta tem o maior índice de furto de veículos da América do Sul que o seguro de carros é o mais alto do Brasil, tem a ver também com a sensação de ser “a próxima vítima” que a mídia propaga e que é usada pela seguradora para aumentar o preço do seguro.

Além de propagar medo, a mídia usa a violência como forma de atrair espectadores. Em novembro de 1998, a TV Globo veiculou uma entrevista com Francisco de Assis Pereira, o famoso Maníaco do Parque. A reportagem abusou de músicas de suspense, textos e cortes de imagem que caracterizavam uma dramatização. Um vidente e um astrólogo também foram convidados para analisar as falas do entrevistado, caracterizando um grande sensacionalismo. Isso mostra que a mídia não está interessada em propagar conteúdo que seja relevante à população, mas está interessa na audiência que as reportagens vão ter. O artigo 11, inciso II do Código de Ética dos Jornalistas, diz que o jornalista não deve divulgar informações “de caráter mórbido, sensacionalista, ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes.”

Entre os profissionais da imprensa a discussão sobre como noticiar a violência já é velha, todos sabem que é necessário contextualizar a informação, porém, a prática nem sempre obedeceu a conduta ética que a profissão exige.

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