Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #480 - 28/05/2018

Meu pai, eu e a masculinidade moderna

O que a paternidade me ensinou sobre ser homem nos dias de hoje

Gabriel Amaral
Estudante de Jornalismo

Comentários
 

Na minha juventude eu não me dava bem com meu pai. Não só na juventude, mas a gente conseguiu conviver bem por um tempo.

Tudo começou na minha adolescência, quando precisei me descobrir homem, mas nunca consegui ser o homem que meu pai quis. Então, tentando buscar um brando equilíbrio, afundei nos conflitos que existiam dentro de mim, que basicamente se resumiam a “que homem eu devo ser?”. Hoje eu peço desculpas para as pessoas que machuquei tentando reafirmar minha masculinidade, mas eu também sofri, e sofri em silêncio, porque homem não chora. Foi assim que meu pai me ensinou. Quando eu venci todas essas ideias do que eu deveria ser, me tornei alguém melhor com os outros. Já não era mais um analfabeto emocional. Mas faltava alguma coisa. Eu vi o outro lado da vida quando ensinava meus filhos o que meu pai não me ensinou. Era isso! Eu precisava restabelecer esse vínculo com meu pai. Foi então que depois de muito tentar ter uma conversa mais pessoal ele me disse algo:

Relacionamento é coisa de homem e mulher, relacionamento entre homem com homem é coisa de viado.

Aquilo me abalou de uma tal forma… Porque é muito difícil quebrar isso. É isso que a gente respira.

Eu vi o outro lado da vida quando ensinava meus filhos o que meu pai não me ensinou

Mas tratando minhas feridas e me abrindo emocionalmente para as pessoas que eu amava, daquele jeito de homem “desconstruído”, percebi que não adianta promover uma caça às bruxas, não é na denúncia que eu vou conseguir fazer com que o outro lado reflita.

O tempo me mostrou que eu precisava reconhecer as vivências do meu pai, afinal, se eu quisesse que ele se transformasse do jeito que eu queria e na hora que eu queria, eu é que estaria sendo violento.

A mudança vem devagar, tanto no relacionamento meu e do meu pai, quanto no conceito de homem que nós construímos. É por meio do diálogo que nós conseguimos nos entender. Hoje eu não tenho mais meu pai para me ajudar, mas vou sempre lembrar do esforço dele para me proteger do mundo. É essa luta que eu tenho que ensinar para meus filhos

Imagem/Gabriel Amaral

Imagem/Gabriel Amaral

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

33.442 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Qualidade e sincronia.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

maio 2018
S T Q Q S S D
« abr   jun »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

galeria de fotos

Chico Buarque Mario Quintana Cazuza

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.