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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #480 - 28/05/2018

Mais um brasileiro como outro qualquer

Sou como qualquer outra pessoa; como todos tenho deveres a cumprir

Gustavo Martines
Estudante de Jornalismo

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bbcxvbxcvxbvxcEra cedo, quando despertei com o barulho dos carros que passavam velozes na rodovia, levando as pessoas para o trabalho. E, como essas pessoas, eu também tinha afazeres. Quando me levantei, senti um arrepio, estava com o corpo gelado. Minha única coberta maltrapilha não fora suficiente para me proteger contra o frio gélido da madrugada. O chão congelava meus pés, eu estava descalço em respeito ao solo, afinal era ele que me sedia leito todas as noites.

“O chão congelava meus pés, eu estava descalço em respeito ao solo”.

Criei coragem e peguei meus instrumentos de trabalho, uma garrafa com água, detergente e um rodo improvisado. Isso é tudo que um profissional especializado na limpeza de para-brisas precisa. Ao sair nem precisei me preocupar em trancar a porta, afinal minha casa não tinha paredes, apenas um teto feito de lona, que se estendia da fachada de uma loja até um pouco antes de chegar à calçada.

Fui andando até meu trabalho, não era muito longe dali. Ficava próximo ao primeiro semáforo da avenida. Cheguei cedo, como todo dia, e tratei logo de assumir meu posto, quando a luz vermelha indicou que meu expediente havia começado.

Eu andava por entre os carros, oferecendo meus serviços de limpeza, porém, os clientes não pareciam estar de bom humor. Hesitavam deixar que eu limpasse o para-brisas como um bom profissional que sou. Preocupado com o bem estar deles eu insistia, mas assim que o sinal se abria, partiam sem nem sequer me dar alguma bonificação pelo trabalho. Em certo momento do dia, vi por entre os corredores dos carros, uma janela se abrir e o motorista esticar o braço para fora. Corri em direção ao carro, esperando receber uma boa gorjeta. Estendi as mãos próximo à janela e quando me dei conta, um punhado de brasas caiu sobre minhas palmas. Naquele instante acabei esquecendo do frio, enquanto chacoalhava as mãos, tentando me livrar do ardor. Aquele motorista estava apenas fumando e tinha aberto a janela para bater as cinzas do cigarro, sem notar que eu estava ali.

A noite caiu, e junto a temperatura. Então resolvi ir embora. Deixei meu posto, recolhi minhas ferramentas e voltei para o meu canto da calçada. Acabei adormecendo, como todas as pessoas deste país.

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Um ser tranquilo por fora, porem por dentro habita uma mente criativa coberta em um turbilhão de ansiedade.

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