Crítica de Mídia | Edição #477 - 07/05/2018

Esquecidos e calados desde a colonização

Espaço nos grandes veículos de comunicação é reduzido para indígenas

Murillo Saldanha
Estudante de Jornalismo

Índios continuam excluídos das capas de jornais e revistas (Imagem/Reprodução) [1]

Índios continuam excluídos das capas de jornais e revistas
(Imagem/Reprodução)

Com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ouviu-se um grande clamor daqueles que se vestiam de verde e amarelo: “Da próxima vez, prestem mais atenção no candidato a vice”. Pelo jeito, ninguém escutou ou talvez os tradicionais meios de comunicação não repercutiram, que pela primeira vez em uma eleição presidencial, o Brasil tem uma indígena como pré-candidata.

Sonia Guajajara é pré-candidata a vice-presidência ao lado de Guilherme Boulos pelo PSOL. Das poucas reportagens que apresentam Sonia no noticiário, uma delas do jornal Folha de S. Paulo, se reduz a compará-la no título como a “Nova Marina”. Marina Silva (REDE), que é criticada pela própria pré-candidata por ter se afastado das causas ambientalistas.

O espaço nos noticiários ainda é reduzido para determinados grupos, como os indígenas. Eles só ganham as capas dos jornais quando morrem ou decidem lutar pelo direito à terra, e mesmo assim, a cobertura ainda é diferenciada. Os índios não são assunto nos comentários políticos do jornalista Merval Pereira, nas análises do comentarista político Arnaldo Jabor ou nas reportagens dos telejornais.

Indígenas continuam ocultados pelos meios de comunicação, os novos colonizadores desse grupo

A situação é mais preocupante quando a discussão se volta para o cenário local. No final do mês de março, uma criança indígena morreu atropelada em Maringá, e só assim os programas policialescos e os jornais locais noticiaram a questão indígena. Um índio teve que ser morto para se tornar assunto na mídia. Apesar disso, não houve comoção e nem a tentativa de explicar com análises históricas e sociológicas a sociedade, como os meios de comunicação fazem com outros temas.

O jornalismo como contra poder, que questiona os poderes e os valores vigentes e que dá voz a quem é marginalizado, é inexistente quando a pauta é a causa indígena. Na Teoria Democrática, o jornalismo seria o guardião da democracia, responsável por dar voz às pessoas, garantindo os direitos democráticos de cada um. De acordo com o jornal El País, o Brasil tem 800 mil indígenas, que continuam ocultados pelos meios de comunicação, os novos colonizadores desse grupo.

Sonia Guajajara diz que “hoje o índio não está só no mato”. Mas o índio ainda não conquistou as capas dos jornais, de revistas ou sequer ganhou espaço nos telejornais. Continua esquecido pela grande mídia que se volta apenas para os confrontos políticos da velha classe dominante de sempre. Da bancada religiosa, elitista e ruralista.


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