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Cidade | Edição #478 - 14/05/2018

A poeira baixou, agora vêm as discussões

Desabamento de prédio em São Paulo atesta omissão do poder público

Carlos Henrique Rosa
Estudante de Jornalismo

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A prefeitura, mesmo conhecendo a situação, foi conivente (montagem sobre imagem/ Carlos Henrique Rosa)

A prefeitura, mesmo conhecendo a situação, foi conivente (montagem sobre imagem/ Carlos Henrique Rosa)

Poucos eventos – para não dizer nenhum  – ganharam tanto destaque nos noticiários, nos últimos dias, quanto o incêndio seguido do desabamento do Edifício Wilton Paes De Almeida, na região central de São Paulo, na madrugada do dia 1°. Em pouco mais de 90 minutos, o edifício, símbolo de modernidade na época da inauguração, no final da década de 60, foi reduzido a uma pilha de aço, concreto e fumaça no Largo do Paiçandu.

Após o desmoronamento, veio o questionamento: será que a tragédia poderia ter sido evitada? Ao analisar os antecedentes do fato, a resposta é sim. Em 2015, a Promotoria de Habitação e Urbanismo abriu inquérito para apurar a possível existência de risco no imóvel. Após dois anos de investigações, a conclusão foi a de que não havia risco concreto que justificasse a interdição. Assim, em março deste ano, o inquérito foi arquivado e a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) foi acionada. Se a Promotoria não via problemas no imóvel, o mesmo não era dito pela Sehab, que entre fevereiro e abril realizou seis reuniões com as lideranças da ocupação do prédio para esclarecer a necessidade de desocupação do local, por causa dos riscos e da ação de reintegração de posse (se desocupado, o prédio seria cedido à prefeitura de São Paulo).

O Corpo de Bombeiros também já havia alertado às autoridades, em 2015, sobre os riscos encontrados no local, como rotas de fuga obstruídas, acúmulo de lixo, a presença de materiais altamente inflamáveis e problemas com botijões de gás. O que, para o capitão da corporação, Marcos Palumbro, poderia ocasionar incêndios e ajudar espalhar as chamas rapidamente. Um documento da prefeitura datado de janeiro de 2017, obtido pela TV Globo, indicava também a ausência de extintores e hidrantes; elevadores fechados por tapumes e a presença de instalações elétricas irregulares, com fios expostos e entrada de energia improvisada. Moradores do local afirmaram, ainda, morar em barracos de madeira no interior do prédio. Estava armado, portanto, o cenário para um incêndio daquela magnitude, e a prefeitura estava ciente disso. Prova disso é que o próprio prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), admitiu que o local não oferecia condições e que uma eventualidade poderia acontecer.

Estava armado, portanto, o cenário para um incêndio daquela magnitude

Falhas no controle público e a lentidão na busca por soluções: tudo isso contribuiu para a tragédia. Cabe, agora, à prefeitura de São Paulo aumentar a fiscalização nos outros 70 imóveis em situação semelhante, retomar as discussões do plano de habitação da capital e, principalmente, dar amparo àqueles, que, por causa da tragédia, agora não têm para onde ir.

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