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Literatura | Edição #476 - 30/04/2018

Infratora do amor mais puro e verdadeiro

Trata-se de uma escolha; sim, sou mulher e não sou destinada a ser mãe

Láiza Maciel
Estudante de Jornalismo

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( Pixabay / Domínio Público )

( Pixabay / Domínio Público )

Cresci ouvindo que seria uma ótima mãe. Meus pais ansiavam por netos e o meu marido por herdeiros. O problema é que eles não entendem que esse desejo não nasceu comigo. Por várias vezes, tentei fazê-los aceitar a minha vontade de ser adepta ao antinatalismo. Porém, em todas fracassei.

O sentimento maternal não faz parte de mim. E nunca vai fazer. Por esses motivos fui tachada de egoísta, má, fria e até “demonizada”. Acho que se esqueceram que estamos em um país livre e democrático. Desejaram-me apedrejar como a mulher bíblica adúltera. Mas afinal, qual é o meu pecado? Não desejar procriar.

Talvez egoísmo mesmo seja colocar mais uma criança no mundo enquanto existem cerca de 40 mil esperando para serem adotadas. Ou talvez, trazer novas vidas em um mundo super povoado e com recursos limitados seja falta de responsabilidade.

O sentimento materno não me incomoda.  Sou incapaz de ter filhos sabendo que sua única herança será um mundo cada vez mais perdido, cheio de corrupção, mortes, destruição, guerras se arrastando por todas as nações e um meio ambiente incapaz de se regenerar. Isso me tira a paz.

O amor desenfreado e fabuloso que todos falam significa responsabilidade

Desejei secretamente não ter filhos. Não quero ter que dividir o tempo. Não quero abrir mão de certas prioridades. Não quero viver um ciclo incansável, ter que levantar toda madrugada para preparar a mamadeira. Não quero ter a obrigação de ir e levar para a escola. Simplesmente, não quero abrir mão dos prazeres, da vida profissional e do casamento para amar incondicionalmente um filho.

Infelizmente, ou felizmente, sou uma mulher que não se encaixa no sistema. Não é que o desejo ir contra os padrões sociais, trata-se de uma escolha. Sim, sou mulher e não sou destinada a ser mãe.

Isso não quer dizer que sou totalmente a favor do filósofo Davi Benatar,  antinatalista considerado um dos mais pessimistas do mundo. Para ele, nascer é uma profunda desgraça e os seres humanos deveriam ser extintos.

A questão é que poucas pessoas se perguntam o que significa ter filhos. A maioria nem sequer planeja; outras optam pelo próprio interesse, simplesmente por querer experimentar ter e criar um filho. O amor desenfreado e fabuloso que todos falam significa responsabilidade.

Evitar o nascimento é evitar o sofrimento. Nascemos predestinados à morte. Feitas as contas, a vida não vale a pena ser vivida.

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