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Crítica de Mídia | Edição #473 - 09/04/2018

Emancipação feminina no título da notícia

O jornalismo esconde a luta de militantes como Olga, Sabo e Winnie

Amanda Watanabe
Estudante de Jornalismo

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O Globo de 1937 e matéria do portal Correio Braziliense em 2 de abril de 2018

O Globo de 1937 e matéria do portal Correio Braziliense em 2 de abril de 2018

No sábado, 23 de janeiro de 1937, a edição vespertina do jornal impresso O Globo estampou na capa a manchete: “Não foram executadas as companheiras de Luiz Carlos Prestes e Harry Berger”. Ao não mencionar o nome de Olga Benário Prestes e Elise Saborovsky Ewer, conhecida por “Sabo”, o jornal desvaloriza o papel das militantes e revolucionárias comunistas alemãs.

É compreensível, já que há 80 anos o machismo era predominante. As mulheres e suas lutas eram acompanhadas do nome do chefe da família, o marido no caso. Mas os tempos são outros. O próprio Estatuto da Mulher Casada de 1962, revolucionou a sociedade estabelecendo que a mulher tem direito sobre si mesma e não depende da autorização do marido por exemplo, para trabalhar.

Mas, em pleno 2018, nos deparamos com situações similares a de Olga e Elise. No último dia 2, a militante sul-africana e ícone da luta anti-apartheid Winnie Mandela morreu, e o jornal Correio Braziliense intitulou a matéria da seguinte maneira: “Morre Winnie, ex-esposa de Nelson Mandela”. Palavras semelhantes foram ditas na escalada do Jornal Hoje do mesmo dia, sem deixar claro, de início, e desprezando toda a militância realizada por Winnie, a reduzindo como mera ex-mulher do primeiro presidente negro da África do Sul.

O guardião da democracia continua disseminando a cultura machista na sociedade

Tal atitude fere diretamente o Código de Ética do Jornalista Brasileiro, que no artigo 6º, inciso XIV, cita que é dever do jornalista “combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero(…).” Deixando claro, a discriminação contra a mulher.

As mídias citadas foram, também, totalmente em desacordo com a citação da chefe de comunicação da Organização das Nações Unidas Mulher, Nannete Braun, que defende que “A maneira como as mulheres são retratadas (na mídia) perpetua atitudes discriminatórias e sexistas e a noção de que meninas e mulheres ‘não contam’”.

Oitenta  anos se passaram e setores do jornalismo brasileiro, que deveriam ser os guardiões da democracia, continuam enraizando e disseminando uma visão de cultura machista na sociedade. Não precisamos lidar com esse jornalismo.

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