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Crítica de Mídia | Edição #475 - 23/04/2018

A opinião dada sem filtro e neutralidade

Formadores de opinião e o cuidado com a informação, cautela

Janaína Lopes
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/ Pinterest)

(Imagem/ Pinterest)

Ao jornalista, expor a própria opinião sobre os fatos nunca foi o recomendado. A palavra “neutralidade” está destacada no dicionário do profissional da comunicação. Imparcialidade é uma forma errônea de dizer que o jornalista apenas relata os fatos. Em nenhum momento a Teoria do Espelho – reflexo da realidade – foi isenta de conhecimentos adquiridos pelos comunicadores. A mídia é o braço da confiança para o público, que faz dela um ponto de convicção.

Um caso com grande repercussão foi protagonizado em 2014 pela jornalista e então âncora do Jornal SBT Brasil, Raquel Sherazade (44). Sem filtro, ela não temeu usar palavras que evidenciaram a opinião pessoal – e não a que se espera de uma profissional da comunicação – sobre a agressão sofrida por um adolescente infrator no Rio.

O comentário utilizado pela jornalista como cabeça de uma reportagem, “O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro”, causou polêmica e indignação.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Rachel Sheherazade violou os direitos humanos. Na época, até Silvio Santos (88), dono da emissora SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) chamou a atenção de Sheherazade no Prêmio Troféu Imprensa. “Eu te chamei pra você continuar com a sua beleza, com a sua voz. Foi para ler as notícias e não pra dar a sua opinião”.

A mídia é braço da confiança para o público, que faz dela um ponto de convicção

Recentemente, vazou uma gravação do jornalista William Wack na qual usou a expressão “É preto. É coisa de preto”, para se referir a uma buzina que tocava insistentemente próximo de onde estava para iniciar uma transmissão ao vivo para a Rede Globo. A grande repercussão do caso resultou no afastamento e, posteriormente, demissão de Wack da emissora.

Há algumas semanas outro jornalista da Rede Globo, Chico Pinheiro, teve áudio supostamente de sua autoria vazado em que dizia “A direita está louca. Os coxinhas estão perdidos”, claramente contrário à prisão do e-presidente Lula. O vazamento do áudio levou o diretor geral de jornalismo da emissora a enviar e-mail para a equipe Globo advertindo sobre situações como esta, que, segundo ele, causam prejuízo à emissora. Pela ótica da neutralidade profissional esse foi mais um caso onde foi quebrado o código de conduta do jornalista.

A verdade é que os jornalistas não carregam somente o seu nome de trabalho, mas o da empresa para a qual trabalham. O público deposita confiança no que esta assistindo, tomando a pessoal que está transmitindo as informações, no caso o jornalista, como referência. Se esse mesmo público se sente direta ou indiretamente atingido por qualquer comentário de ordem pessoal feito pelo jornalista, a internet é a principal porta-voz: o internauta não perdoou nenhum dos casos citados.

A opinião é, de praxe, cercada por visões pessoais de mundo, mas no veículo de comunicação todo cuidado com o que é expressado acaba sendo pouco.

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