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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Sem categoria | Edição #473 - 09/04/2018

“A notícia falsa é muito mais atrativa”

Para o jornalista Victor Faria fact checking sempre foi obrigação da imprensa

Allan Cavalcanti
Estudante de Jornalismo

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A disseminação das fake news que significam notícias falsas, tem crescido de forma estrondosa.  De acordo com a revista Veja, há alguns anos, a notícia de que a Pepsi tinha superado a Coca – Cola em vendas por conta de uma foto de Jair Bolsonaro em suas latas, teve mais de 20 mil curtidas e muitos compartilhamentos, e a noticia era falsa.

As pessoas acreditam que compartilhar qualquer notícia não gera nenhuma consequência, e é aí que elas se enganam. Em 2017, uma internauta compartilhou no Facebook a notícia de que um veterinário havia realizado um procedimento mal feito em uma cadela, sem checar a procedência da notícia e do que se tratava. Ele não gostou do que viu e processou quem havia escrito e também os que compartilharam a notícia falsa. A mulher foi obrigada a pagar RS 10 mil ao veterinário.

"O nosso trabalho é simplesmente apurar a notícia e saber se é verdade ou não"

“O nosso trabalho é simplesmente apurar a notícia e saber se é verdade ou não”

Em entrevista com o jornalista Victor Duarte Faria, ex- repórter do site “Maringá Post”, atualmente trabalha como correspondente do Paraná Portal no site UOL, repórter especial e também responsável pela editoria de cultura que engloba editorias de cidade, política e economia do jornal Metro Maringá, procuramos saber onde o jornalismo se encaixa nisso tudo.

Em fevereiro deste ano, o laboratório de aplicações de vídeo digital da Universidade Federal da Paraíba, em entrevista ao Fantástico, demonstrou que é fácil criar “réplicas” de sites oficiais de notícias. Como o jornalista deve se posicionar a isso?

O papel do jornalista é realizar o fact checking, que é a checagem de informações, para não dar margem a questionamentos de onde foi tirada a notícia. Nós não estamos aqui para comentar, nem para fazer colunas, mas sim para reportar fatos que você alicerça em números, dados, órgãos oficiais e fontes oficiais.

Na campanha eleitoral de Donald Trump à presidência dos EUA, foi feito um estudo que constou que ele disse mais de uma notícia falsa por minuto em uma hora de discurso. Nós estamos em ano de eleição presidencial, a tendência é que muito se propague notícias falsas e é importante que a gente tenha capacidade de discernimento para conferir essas notícias, separar e fazer o nosso trabalho, que é simplesmente apurar a notícia e saber se é verdade ou não.

O artigo 4º do Código de Ética do Jornalista nos diz que “O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação. ” Em razão das inúmeras fake news que circulam, você acredita que o jornalista de alguma forma pode rebater essas mentiras e mostrar a verdade para as pessoas?

Eu acredito que não exista uma verdade absoluta, existe um coletivo social e também não acredito em imparcialidade jornalística. A gente sempre tenta reportar o fato, mas de acordo com nossas crenças, ideologias nós acabamos hierarquizando cada notícia e reportagem. Os números não mentem, nós mentimos com números. Você pode dar a mesma notícia de duas formas diferentes, negativa ou positiva. Você pode divulgar uma notícia que a esquerda não seja a favor ou que a direita não seja a favor. Eu quero crer que precisamos apanhar dos dois lados, para que possamos chegar na imparcialidade do jornalismo, e isso nunca aconteceria com elogios de ambos.

 Na teoria do jornalismo, existe a teoria de GateKeeper, que se refere a uma pessoa que é um “filtro” para as notícias que serão publicadas de acordo com seu critério. Mesmo sabendo que a teoria já perdeu força, você acredita que seria necessário um GateKeeper para filtrar as notícias que são publicadas atualmente?

A leitura de mundo e

saber fazer uma boa reportagem

contam bem mais

Não ter um GateKeeper pode ser de certa forma prejudicial porque você acaba pejorizando a notícia. Em alguns blogs policiais, por exemplo, que só colocam coisas sanguinárias, você acaba pejorizando isso, porque de tanto ver pessoas assassinadas, isso acaba se tornando algo comum. E as pessoas que não têm conhecimento para analisar com profundidade a notícia só repassam. E aqueles que tem o conhecimento sofrem por saber que aquilo é mentira.

Com a internet, a notícia ficou muito mais acessível a todos os públicos, inclusive as pessoas com pouco estudo. Qual dica você daria para as pessoas que tem a notícia mais perto porém estão mais vulneráveis a serem enganadas?

O Mark Zuckerberg [CEO do Facebook] e outros donos de redes sociais têm traçado planos para combater as fake news e isso é importante. Mas tem pessoas que não têm acesso a isso. Então, para aqueles que querem ler a notícia e não sabem se é verdadeira ou falsa nós temos algumas dicas: você já ouviu falar daquele site? Se não, fique com um pé atrás. Após você abrir, tem alguma fonte oficial, procedência dos dados? A mesma notícia foi compartilhada para algum outro veículo que você conhece? Se não, a possibilidade de isso ser falso é muito grande. Abra sempre o link também, porque acontecem os “CaçaClicks”, títulos de reportagem que não condizem com a matéria.

 Nós acompanhamos também muitas pessoas em redes sociais, que se dizem repórteres, noticiam fatos, têm muitos seguidores, mas não têm a formação acadêmica. Isso é um fator contribuinte para as fake news? Já que eles não respondem a nenhum veículo de mídia?

Eu não sei se é por falta de informação de fato ou por serem mau caráter, alguns “blogueiros” em Maringá, se consideram ativistas sem formação jornalística. Não que ter um diploma te faz mais ou menos jornalista, na verdade a leitura de mundo e saber fazer uma boa reportagem contam bem mais, mas tem gente que espalha notícias sem cabimento. Simplesmente falar um monte de coisa é fácil, mas ler o regimento da Câmara de Vereadores por exemplo é bem mais complicado e por isso acabam até dando uma noticia errada.

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