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Literatura | Edição #472 - 29/12/2017

Quem tinha tudo o que queria, acabou sem nada

Ela se sentia a mais poderosa e adorava ouvir todos os elogios

Isabella Higa
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/ Beatriz Garcia)

(Imagem/ Beatriz Garcia)

Quanto eu conheci Ana ela tinha cabelos cumpridos e loiros. Ela estava sempre maquiada, mas sem exageros. Ela tinha uma beleza singular e por isso Ana chamava tanta atenção. Ficamos amigas no primeiro ano de faculdade, mas não éramos do mesmo curso, na verdade nos conhecemos mesmo em um bar e depois descobrimos que estudávamos na mesma instituição.

Eu fiquei amiga dela quando meu melhor amigo, Ricardo, ficou apaixonado pela loira da mesa ao lado, a Ana. Ele me fez ir até lá e conversar com ela e acabei descobrindo tudo. Loira, 22 anos, filha única, solteira fazia três meses, estava no último ano de moda e não estava à procura de um namorado. Na mesma noite o Ricardo beijou Ana.

Eu acho que é por isso

que essa amizade

durou tanto tempo

Mas o que Ana disse sobre não estar procurando namorado era verdade. O Ricardo se apaixonou por ela, mas não era só ele que havia se apaixonado. Era ele e mais todos os homens que passavam por ela. E que mulher não gosta disso, né? Ela se sentia a mais poderosa e adorava ouvir todos os elogios.

Eu me lembro que as roupas que ela usava eram caras, curtas e decotadas. Ela conhecia todo o universo da moda e sabia se vestir como ninguém. Ela se importava muito com o que as pessoas poderiam pensar sobre ela, por isso ela andava impecável.  Ficamos muito amigas, fazíamos tudo juntas. Mas não éramos iguais. Eu acho que é por isso que essa amizade durou tanto tempo. Porque duas pessoas como a Ana não se aguentariam. Seria uma disputa para saber quem conseguiria chamar mais atenção.

Ana me contou que sempre teve tudo. Quando ela completou 18 anos ganhou um carro sem nem ter a carteira de habilitação. O pai dela era médico e a mãe advogada. A primeira vez que levei a Ana para almoçar na minha casa, ela amou minha mãe. Atenciosa e carinhosa. Ela contou que a mãe dela nunca fez nada para ela, além de dar dinheiro e presentes caros.

Depois que ficamos bem próximas, a minha família se tornou a família dela. Mas, descobrimos que Ana estava com câncer. Câncer de mama. Fomos os primeiros, a saber. Ela perdeu os cabelos loiros. Perdeu as roupas caras, o carro do ano. Não namorou o Ricardo e nem o Pedro. Não teve a atenção da mãe e nem do pai. Ela não teve tempo de perceber que as coisas materiais são banais. Não teve tempo para se apegar aos sentimentos, porque nunca ensinaram a ela sobre o amor. Por trás da beleza intocável e da vaidade exagerada havia um câncer. E o câncer matou Ana.

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