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Literatura | Edição #472 - 29/12/2017

Foi crime sim, mas não me deram ouvidos

Tiraram minha essência no momento em que invadiram minha privacidade

Gabriela Medrano
Estudante de Jornalismo

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        Nunca pensei que algum dia iria ter trauma de janelas abertas.

       Tudo começou em Campo Mourão, uma cidade 91 km de Maringá, onde passei a etapa mais inocente da vida. Estava em um bar, um dos mais frequentados pelos moradores da cidade. Sim, eu havia bebido uma cerveja. Mesmo assim conseguia me expressar. Mesmo assim sabia onde estava.

      Os hormônios dominavam meus dias. Meu humor oscilava a cada momento. Levantei-me da mesa e fui ao banheiro, minha bexiga estava quase explodindo. Para minha surpresa, ao lado da porta dos banheiros estava o garçom do bar, conversando pelo celular. Ou pelo menos, fingindo que estava.

       Entrei no banheiro e sentei-me, disposta a liberar a pressão que sentia na bexiga. Não sei o que foi, mas algo me fez olhar para cima. Levantei os olhos e me deparei com um celular Samsung com a capinha verde militar. Na hora a ira dominou meu corpo. Saí daquele banheiro feito o cão, pedindo a todos que me mostrassem a capinha do celular, explicando o que acabara de acontecer.

A história tem sempre dois lados, o meu não valia nada

        Várias pessoas não me deram crédito, inclusive zoaram com minha cara. Me disseram que eu havia imaginado. “Você bebeu?”, repetiam mil vezes. Jamais seria capaz de inventar coisa semelhante. A impotência inundava meu ser.

       Sabia perfeitamente que havia sido o garçom. Era a única pessoa com uma capinha verde militar. Conversei com o dono do bar, relatei os detalhes. Mesmo assim, ele me ignorou.

       Além de ter invadido minha privacidade, aquele garçom me envergonhou. Esse homem conseguiu capturar uma imagem minha em um dos meus momentos mais íntimos. Conseguiu levar a lembrança e a marca do meu ciclo.

        Será que ele ia conseguir se excitar com um absorvente manchado? A culpa era minha? Eu senti que era.

       Agora, cada vez que entro em um banheiro, por medo, fecho todas as janelas.

Cada dia me sinto mais vulnerável. Definitivamente faço parte de uma sociedade onde a palavra do homem vale mais. Não importa se meu ego foi ferido. A história tem sempre dois lados. O meu não valia nada.

       Naquele momento, eu era uma “bêbada” a mais querendo chamar a atenção. E ele continua trabalhando lá, sem importar-se com minha honra ferida.

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