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  • Última Edição: #472 | 29/12/2017 - Ano XVIII
 
Cultura / Literatura | Edição #472 - 29/12/2017

Floresço como uma semente mexicana

Em um jardim cultivado por homens e suas leis, emerjo arduamente da terra

Gabriel Trevisan
Estudante de Jornalismo

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    “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes.”

Ditado mexicano.

Imagem/ Octavio Ocampo

Imagem/ Octavio Ocampo

Nunca me disseram que a vida seria fácil. Por muito tempo eu não sabia o que era luz. Por muitos anos não sabia nem mesmo o que era estar viva. Não tinha direito a nada. Enquanto ao meu redor os Cravos floresciam belos e fortes, eu ficava escondida em algum canto da casa.

As coisas finalmente começaram a mudar quando no dia 19 de Abril fui enfim colocada à luz. Enfrentando a grande dor de ser exposta ao Sol, muitas vezes fui olhada como inferior pelos jardineiros: “Ela é apenas uma semente. O jardim não é lugar para ela”.

Em 6 de Junho, os jardineiros se organizaram em uma reunião e decidiram que eu seria plantada. Se até os Cravos um dia foram sementes e tiveram a chance de conhecer a terra, eu também deveria ter. Mesmo sabendo que possivelmente nunca alcance o tamanho deles, fiquei feliz ao menos por finalmente enxergaram que merecíamos ser iguais no jardim.

No dia 1º de Janeiro já estava enterrada. Nesse lugar escuro e úmido fiz meu lar. Outras sementes que estavam lá em baixo comigo contavam histórias de como seria lá fora. Fiquei sabendo que uma de nós finalmente havia florescido. Com luta chegou ao Jardim dos Cravos, bela flor chamada Alzira. Qual seria a sensação de tamanho poder de uma ex-semente?

Não sou lagarta que se transforma em borboleta, sou semente que morre.

Quando chegou o dia 24 de Fevereiro, morri. Não, eu não sou lagarta que se transforma em borboleta, sou semente que morre. Morro para deixar a história de semente no lugar que ela merece estar, enterrada. Agora sou broto. Sou uma planta como o Cravo. Bendito seja o jardineiro Getúlio por me ajudar a chegar até a superfície. Mesmo que amarrada por diversas cordas, por ainda ser um brotinho, o que importava é que já conseguia respirar o ar do jardim.

Fui crescendo. Com ajuda  uma das outras nos tornamos mais fortes. Nesse jardim de Cravos hoje as Rosas (re)existem. Ultimamente sopra um vento frio da região Centro-Oeste. Mesmo a 181 km de distância sentimos o medo da estiagem. Que venham dezoito invernos, um para cada um de vocês, só não esqueçam, as rosas florescem no inverno.

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