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Literatura | Edição #472 - 29/12/2017

Curto relato de uma vida pós diagnóstico

Quando ele foi diagnosticado, o chão lhe pareceu desaparecer dos pés

Eduardo Domingos
Estudante de Jornalismo

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Ele sempre se preocupou com a saúde da mente e do corpo, pois sempre acreditou e acredita que a junção de ambas contribui para o bem-estar da alma na Terra, mas isso não seria o suficiente para um único dia marcá-lo pelo restante da vida e, a partir daí, fazê-lo mudar planos e conviver com a angústia gerada pela ignorância sobre a doença que agora coexiste. Quando diagnosticado, o chão lhe pareceu desaparecer dos pés e a sensação era a de que vagava no espaço sem perspectiva de volta. É, parece que ele não dava a mesma importância a segurança da vida sexual.

A família não compreendeu, mesmo assim o aceitou de braços abertos

Tentou procurar culpados pelo que estava acontecendo consigo, mas não via que era o maior responsável por aquela situação, pois em uma relação existe o consentimento de duas partes. Para o bem ou para o mal. Deu um tempo de tudo e de todos. Se isolou, quase entrou em depressão. Buscou refúgio na terra natal. A família não compreendeu, mesmo assim o aceitou de braços abertos, aliás, todos sofreram juntos no início. Muitos amigos lhe viraram as costas e nem quiseram saber o motivo do sumiço repentino, no entanto colegas de alguns “ois”, se tornaram parte da família quando souberam o que com ele se passava. Teve que buscar informações sobre a doença, conversou com várias pessoas e fez uma boa rede de contatos com os que convivem com a mesma.

Olhar-se no espelho era uma tortura diária, pois irracionalmente via escrito no rosto “Sou portador do vírus HIV”. Tolice! Isso não está estampado na face de ninguém e ele deve contar apenas às pessoas certas e na hora certa. Agora ele convive melhor com a nova condição e com o coquetel diário de medicamentos, inclusive que existe diferença entre Aids e HIV, algo que ele nem imaginava. Só ainda não aprendeu a lidar com os vizinhos que evitam pegar o mesmo elevador que ele por medo de contágio e falta de informação.

Agora ele faz um apelo. Proteja-se, faça sexo seguro, conheça seu parceiro, pois essa ainda é uma das formas mais comuns de contágio do HIV. Por mais que a qualidade de vida do soropositivo tenha melhorado, ainda é melhor não conviver com a doença, pois a droga para o tratamento do vírus já existe, mas ainda não desenvolveram um que cure ou, pelo menos, trate o preconceito de pessoas mal informadas.

Imagem / Pixabay

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