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Literatura | Edição #472 - 29/12/2017

Com imenso carinho, uma despedida a 2017

A carta de adeus ao ano que teve o inverno mais rigoroso

Bia Fortunato
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/pixabay)

(Imagem/Pixabay)

Prometo tentar ser breve. Mas não tanto quanto você foi. Será mesmo que já se passaram onze meses? Você foi como um furacão, chegou tão depressa. E com a mesma rapidez está indo embora. Mas como todo ‘bom’ furacão, devastou todos os lugares por onde passou.

Confesso que até uns meses atrás eu sentia raiva de você. Passei grande parte dos dias desejando que fosse embora, e esse desejo não era só meu. Era meio que unânime, sabe? Por todos você foi criticado. Sabe aquela visita indesejada que os donos da casa desejam que vá embora logo? Você não nos poupou nada não é mesmo?

Deu um chute atrás do outro, e é difícil se manter de pé com tanta cacetada. Foi duro encontrar algum fio de esperança para não jogar a toalha. Foram muitas noites em que você me fez dormir chorando. De medo, de raiva, de dor.

Algumas marcas que você deixou ainda ardem nas madrugadas de insônia. Foram tantas noites em claro, pensando no orçamento que não fechava, na crise política, no desemprego, na desumanidade e nas pessoas que foram embora sem nem dar adeus, que a ideia de ter uma boa noite de sono parece uma piada de mal gosto. Seus vestígios vão durar por muito tempo, a gente ainda vai falar muito de 2017.

Hoje entendo que não foi um vilão, você foi ruim, sim, mas eu não quero te apagar do calendário. Mesmo sabendo que as mães dos meninos de Goiânia ainda choram suas mortes. Que as crianças daquela creche nunca vão voltar para casa. Você foi necessário. Com todas as suas tempestades eu fui obrigada a crescer, me tornar alguém melhor. Mais forte.

Você foi como um inverno rigoroso. Daqueles que a gente acha que vai morrer de frio. Mas agora o verão já está querendo tomar seu lugar. Já é possível ver a luz no fim do túnel. E não dá para correr até ela sem refletir um pouco.

Seus vestígios vão durar por muito tempo, a gente ainda vai falar muito de 2017.

Foi um ano difícil. Cansativo. E no meio de tanta violência conhecemos a quase extinta empatia. Lutamos por causa que não eram nossas. Discutimos questões importantes. Gritamos. Choramos. E amamos. Em meio a todo esse caos nós amamos.

2017 foi um ano cheio de dificuldades, mas também foi o ano em que descobrimos que quando damos as mãos, somos bem mais fortes.

Quem conseguiu sobreviver até aqui dificilmente vai desmoronar por qualquer coisinha. Estamos mais fortes, graças a você.

O nosso adeus logo se aproxima. A gratidão sempre existirá. E bem lá no fundo sentimos que a saudade já está batendo à porta.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Marjorie carvalho lopes disse:

Pura realidade. Não poderia ter descrição melhor. Parabéns.

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