Cidade | Edição #470 - 10/11/2017

“Todo trabalho aqui é familiar, um legado”

Elson Fujikawa dá continuidade à história do avô e do pai com o bambu

Edição Especial
Projeto Integrador 2017

Elson Figikawa e seu filho, vendendo peças de bambu na feira (Imagem/ Bruna Araujo)

Elson Fujikawa e seu filho, vendendo peças de bambu na feira
(Imagem/Bruna Araujo)

Elson Fujikawa, 57, morador de Maringá , é produtor de objetos artesanais feitos de bambu. Além de produtor e artesão ele era eletricista industrial, porém desistiu quando resolveu assumir os negócios do pai.

Takeji Fugikawa, morto em 2015, foi um dos fundadores da Feira do Produtor. Desde pequeno, Elson acompanhava o pai em todos os processos, na colheita, produção até a venda dos produtos.

Ele conta que o legado vem desde o avô, que produzia o bambu . Passou para o pai, que começou a usar a planta para artesanato e vender as peças na feira. Elson, que apenas acompanhava, acabou dando sequência aos negócios da família e está no ramo há 17 anos. Ele vende desde pegadores de salada, tábuas, colheres até hashi. Ainda dedica um espaço da barraca a temperos japoneses.

Ele conta que gosta de trabalhar na Feira do Produtor porque lá as pessoas produzem para vender e que há muita produção de orgânicos. Diferentemente das outras feiras que ocorrem na cidade, onde os feirantes compram os produtos para revender, na Feira do Produtor,  o produto vem direto do agricultor, que colhe poucas horas antes, e vai direto para o consumidor.

O senhor acompanhou seu pai desde quando tudo começou. Percebeu um crescimento na feira?
Crescimento tem, porque sempre entra novidade, entra gente nova, os produtores não deixam o setor ficar parado. A tecnologia está entrando bastante, sempre tem alguma coisa diferente.

Artesanatos feitos de bambu que são vendidos na barraca de Elson Fujikawa

Artesanato feito em bambu, vendido na barraca de Elson Fujikawa (Imagem/Ana Beatriz Fortunato)

O senhor já está aqui há muitos anos. Existe uma preferência entre feira e mercado?
Aí depende do freguês. Tem alguns que são fieis à feira, faça chuva ou faça sol eles estão aqui, e alguns só quando não tem o produto no mercado.

O senhor comentou que artesanato é um dom da pessoa. Trabalha sozinho ou tem funcionários?
Não tenho, todo o trabalho aqui é familiar. Tudo começou desde o plantio de bambu com meu avô, até aqui na feira com meu pai e eu. Artesanato é complicado trabalhar com alguém, eu já tentei e não funcionou.

O senhor disse que a feira sobrevive por conta própria. Os produtores recebem alguma ajuda da prefeitura para melhorar a feira?
Quando a gente pede tem vezes que ajuda, mas todos aqui tentam depender o mínimo possível de autoridades para não ter nenhum problema. Mas ajuda tem sim

É evidente que o país está passando por uma crise. O seu setor foi afetado de alguma maneira?
Foi bem afetado. O público caiu um pouco, essa crise derrubou todo o setor. Mas o meu ainda é pior, porque é supérfluo, não é algo que você come, não é uma necessidade. Então você pode adiar a compra.

Tudo começou desde o plantio de bambu com meu avô, até aqui na feira, com meu pai e eu

O senhor afirmou que é uma diversão trabalhar aqui na feira. Qual é a importância de ter um local para vender o próprio trabalho?
Olha, isso eu acho muito importante . A maior dificuldade de uma pessoa que trabalha com comércio hoje é ter um ponto de venda fixo e próprio. E nós temos isso aqui na Feira do Produtor. Posso chegar a hora que é mais conveniente pra mim. Então não tenho do que reclamar.


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