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Literatura | Edição #469 - 06/11/2017

Quando sair da prisão terá uma formatura

Escola: Gente concentrada, grupos que não se misturam e violência.

Gabriel Amaral
Estudante de Jornalismo

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Quando falam da minha escola penso muitas outras coisas além de estudar. O conteúdo da escola é trinta por cento do que a gente aprende vivendo com outras crianças. Acho que a primeira coisa que penso é nos conflitos que temos, principalmente dos alunos entre si.

Como todo mundo, eu queria ser visto como um garoto legal. É estranho porque não queria ser amigo de todos, mas ao mesmo tempo queria ser reconhecido por eles. Já tentei de tudo: ser engraçado, ser mais quieto e reservado, ser inteligente para os outros alunos prestarem atenção sempre no que falo. Mas tem alunos que descrevem como os outros são, e nunca me chamaram de nenhuma dessas coisas. Eles só lembram do dia que espirrei na sala e saiu catarro, então depois disso eu virei o Meleca. Com o tempo eu parei de tentar tirar esse apelido, quando não gostam eles insistem mais. É irritante.

Eu desenhava bem, então na aula de artes trocava meus desenhos por outras coisas, porque a escola parece aqueles filmes de prisão, todo mundo é vigiado, mas é muita inocência pensar que não tem violência.

De vez em quando aparece alguém para se vingar de garotos como ele

Os guardas são os professores e zeladores, os alunos são os presos e eu sou tipo o tatuador da prisão, já que desenho bem. Isso me faz meio neutro na sala, porque tem o grupo de alunos mais fortes (que geralmente são os que tiram as piores notas) e tem os alunos que eram excluídos. Eu tento ser amigo deles, a gente passa pelas mesmas coisas as vezes.

Um dia um gordo alto gostou de um desenho meu e disse daquele jeito malandro deles:

- Ô Meleca, dá pra mim esse desenho.

Eu não dei, era meu, gostei tanto daquele desenho. Por isso fui o primeiro a sair da escola aquele dia, mas não adiantou, ele me alcançou e puxou minha bolsa, arrancou o desenho e jogou minhas coisas no chão ao sair. Me deu tanta raiva esse dia. Não foi a primeira vez que ele fez coisas desse tipo. Não tem muita coisa que eu possa fazer de volta.

De vez em quando aparece alguém para se vingar de garotos como ele, e não estou falando de garotos maiores, porque como na prisão, cada um sabe seu lugar. Por isso valentões não mexem com garotos mais valentões. Não é isso, tá mais para alguém que desistiu mesmo, alguém que não tem a mesma proporção das consequências. Estou falando de garotos como eu, que não aguentam mais.

Imagem/Gabriel Amaral

Imagem/Gabriel Amaral

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