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  • Última Edição: #471 | 20/11/2017 - Ano XVIII
 
Literatura | Edição #471 - 20/11/2017

Exibição, realidade e a limitação em ser

Dependente sempre da aprovação de outrem, para assim sentir-se realizada

Gabriela Medrano
Estudante de Jornalismo

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foto gabiFaz parte de um espetáculo viver observando-o. Logo que desperta, agarra o celular, ansiosa por encontrar várias curtidas. São inúmeros os comentários enaltecendo o físico. E só isso. Apenas aquilo que é visível.

Ela sabe que, por dentro, só restam cinzas. A vida já não lhe fazia sentido. O existir é baseado em pessoas, e elas são, na maioria das vezes, incompreensíveis.

Experimentava uma doce inclusão do caos. Na realidade, já havia nascido parte dele. E como poderia escrever uma narração lógica, se ao longo do tempo ela mesma perdeu a linha de raciocínio?

Mesmo assim, consegue ignorar a angustia. Ou quase.

Faz cara sensual e escolhe o melhor filtro para a foto

Necessita dizer ao mundo que não está bem. Ela precisa de atenção, não mais que momentânea. Um abraço gélido ou uma curtida, tanto faz. No final, como vai atingi-la, se está do outro lado da tela?

E é mesmo uma existência baseada em loucura instável que começa novamente. Dessa vez, não lhe machuca. Ela não lembra se foi apenas produto da imaginação, mas lembra de se sentar sob um tronco e observar como o resto das flores  murcham.

Aquelas flores de papel. Definitivamente está em guerra com tudo aquilo que lhe rodeia.

Por mais que isso aconteça, continua presa. Nunca vão deixá-la sair da cela. De repente, encontra-se frente a frente com o destino. Uma exigência pela sua presença, ao mesmo tempo inexistente. A vida está escura, apesar de o reflexo reunir várias cores.

Afinal, ela também faz parte do show. Só consegue acreditar que é maravilhosa quando o resto do populacho a reconhece. Pessoas que não passam de marionetes da encenação, esperando sempre a derrota alheia. Uma busca por sentir-se superior. A espera de aprovação para ser alguém. Ou pelo menos pensar que é.

Hoje ela acordou em uma rua sem saída. Por mais que não queira, o espetáculo a dominou. Precisa então daquela aprovação diária dos inúmeros olhares quase anônimos.  Veste-se com a camiseta favorita, passa um batom chamativo. Faz cara sensual e escolhe o melhor filtro para a foto.  A felicidade agora depende de quantas pessoas o retrato irá atingir.

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Sem pátria nem bandeira, súdita da intensidade

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