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  • Última Edição: #471 | 20/11/2017 - Ano XVIII
 
Literatura | Edição #471 - 20/11/2017

Brasileiro, por onde anda a esperança?

O relato de quem já foi anestesiado pelo sistema político e social

Murillo Saldanha
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/Pixabay)

(Imagem/Pixabay)

Meus dias estão cinza e meus pensamentos me atordoam. O pessimismo tomou conta de mim e também das pessoas que estão a minha volta. Os noticiários me anestesiaram, me doparam, e agora não me assusto com mais nada.

Não é mais novidade pra mim, e talvez pra ninguém, que a segunda denúncia contra o Temer também não iria passar. Não é novidade que o Aécio não teria o mandato dele cassado. Para mim, surtiu normalmente o fato de um candidato na redação do Enem poder ferir os direitos humanos sem levar zero.

Não me assusto mais com os áudios, as delações e estou sempre à espera do próximo escândalo de corrupção. Não me atordoa o fato de que um dos homens que está à frente da disputa eleitoral para a presidência do país seja um louco de extrema-direita, e bem pior que o Trump. Falando em Trump, não me assusta mais nada que saia da boca dele. Do Trump já espero tudo e, infelizmente, espero o pior.

Já me acostumei a viver no país da impunidade, no país que não reconhece as próprias mazelas, o povo e a identidade. Não reconhece nem que existiu uma ditadura militar e os males eternos que causou.

Entendo que o momento é de extremismo, violência e repressão. Entendo que você tem que gostar de coxinha ou se tornar um esquerdopata. Na verdade, percebi que já me acostumei com toda essa situação.

Na falta de esperança, deposito a desesperança no futuro do país

Os ataques terroristas tão noticiados nos jornais, parece que não me assustam mais, afinal, é uma guerra sem fim. Sabe aquele ditado típico do Brasil “a esperança é a última que morre”? Parece que em mim já morreu.

O verde da bandeira, o verde da Amazônia, o verde que também é da esperança, está se apagando. Não reajo, não bato panela, não grito, não faço cartazes, não vou às ruas. O máximo que eu faço é digladiar com quem pensa diferente de mim no Facebook.

Na falta de esperança, deposito a desesperança no futuro do país. Brasil, quando deixou de ser minha pátria amada e idolatrada? Não consigo mais lutar por ti, pelos ideais brasileiros. Parece que o futuro é bem mais escuro, cinzento e desumano do que o presente.

Deixo de herança, o Brasil da cura gay, da escola sem partido, o país que mais mata LGBTs. Deixo no meu testamento, aos meus netos e bisnetos, o Brasil da corrupção, da intolerância, do racismo e do machismo. Espero que eles façam algo, porque nem eu sei o que fazer.

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