Literatura | Edição #469 - 06/11/2017

Amando abstrações para parecer legal

O idealismo que transformou amor em projeção pessoal para ser do bem

João Henrique Belli
Estudante de Jornalismo

Você é do tipo que tem planos para mudar o mundo? Que quer fazer o bem sem ver a quem, mas nunca fez nada a ninguém? Se sim, esta crônica não é pra você e, se por acaso você a ler, não ache que sou malvado, apenas realista e cético.                                           A tal geração Y tem me dado preguiça. Seus ideais são nobres e nada concretos. Gritam a quatro cantos sobre salvar as crianças da África, mas nunca pensaram em ter um filho, afinal é fácil querer salvar algo que, a priori, está longe de você e amar a abstração é mais cômodo do que realizar uma ação concreta. No mundo real, crianças são amáveis, porém muitas vezes difíceis de lidar.                                                                           Você deve conhecer alguém que defende minorias fazendo textão no Facebook, porém quando essa pessoa avista alguém de boné aba reta vindo em sua direção, vira a esquina por ter medo da minoria que ela própria defende nas redes sociais. Muita hipocrisia! A geração do “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” não tem amado as pessoas e sim demonstrado um amor falso para parecer legal. Como diz Pondé” toda virtude verdadeira é na verdade silenciosa”.                                                          A essa altura os superiores morais devem achar que quero o fim do mundo e que sou contra o amor, mas fiquem tranquilos; eu também amo. A diferença é que, por exemplo, eu amo minha mãe. Já vocês, amam ideais de mundo construídos por delírios e abstrações. A maior prova da moda atual de amor é a galerinha que ama a sociedade. Pense comigo, você já viu a sociedade comprando pão na padaria? Você já foi ao cinema e na fila da pipoca estava a sociedade? Você já encontrou a sociedade na fila do banco? Pois é, eu acredito que não, afinal a sociedade não existe, pois é uma abstração para um conjunto de indivíduos.                                                                                                                            Se você se encontra na situação de se apegar a ideais lembre-se: Quem faz as ações são indivíduos e se você quer salvar o mundo comece ajudando o vizinho. No meu caso, continuo cético e se vejo algum superior moral falando sobre como mudar a realidade, me retiro e vou jogar um videogame.


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