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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #464 - 02/10/2017

Uma guerra que não mata só a esperança

A única escolha agora é ser forte, acostumar-se com o caos e a morte

Allan Cavalcanti
Estudante de Jornalismo

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Mais um dia começa. Não um daqueles bonitos que não vemos aqui, e sim um dia que se repete há muito tempo. O silêncio que, sorrateiramente, tenta trazer calma não tem espaço ante a visão de corpos no chão, visão essa que desperta o sentimento de desespero.  Ninguém desejaria acordar assim. Não existe outra escolha a não ser, ser forte.

Um homem sai desesperadamente de casa com uma criança no colo. Ambos tapam os rostos, o cheiro de morte é insuportável. O garoto leva nos braços um pequeno livro, provavelmente um diário, a última lembrança que terá daquele lugar.

Distantes da guerra, agora em um barco onde muitos tentam se consolar, o garoto escreve no diário.

“Querido diário, hoje dia 1º de setembro de 2015, papai e eu saímos de casa, foi o pior dia da minha vida. Mamãe não veio com a gente, aqueles idiotas destruíram tudo. Papai disse que estamos indo para a Grécia, mas eu só quero buscar a minha mãe. Não aguento mais.”

(Imagem/Reprodução)

(Imagem/Reprodução)

O mar calmo que acalenta, que traz paz, também abre brechas para lembranças que trazem dor. Depois de tantas noites inquietantes e orações sem sucesso, o pai do menino, que o tem nos braços, olha para o céu e pede baixinho para Deus que tudo dê certo a partir de agora, “Senhor, cuide do meu filho, estão sendo dias difíceis, mas sei que o Senhor está nos levando a um paraíso”. Logo após a última oração, todos dormiram ao som inquietante do silêncio.

Ao amanhecer, o mar parecia mais calmo. Todos os relatos de alguém que nunca pediu para estar nessa guerra e muito menos entendia o porquê de estar passando por tudo aquilo, foram encontrados. Um pouco distante do corpo, à beira da praia.

Ninguém desejaria acordar assim. Não existe outra escolha a não ser, ser forte

Talvez nunca haja a paz definitiva. Talvez ainda não entendamos como respeitar o próximo e viver bem uns com os outros. Talvez a guerra esteja dentro de cada um de nós. Talvez o paraíso não seja em outro país, e sim para onde são enviados os pedidos de ajuda em forma de orações.

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Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.

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