Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #467 - 23/10/2017

Se não for para fazer em cima da hora, ele nem faz

Não era de se duvidar que iria deixar para fazer tudo no último dia

Weverton Klein
Estudante de Jornalismo

Comentários
 
(Imagem/Weverton Klein)

(Imagem/Weverton Klein)

Aquele tic-tac do relógio já começava a irritá-lo. O objeto, de uma era quase paleolítica, insistia em lembrá-lo que o tempo estava passando e que restava-lhe poucas horas para finalizar aquele projeto, cujo nem sequer havia iniciado.

Decerto que teve muito tempo para fazê-lo, mas ele tinha nas veias o sangue de um verdadeiro brasileiro. Então, não era de se duvidar que iria deixar para fazer tudo no último dia. Afinal, não poderia recusar aquele convite para o chope, nem de bater aquela bolinha com os colegas. Tinha tempo e insistia nessa desculpa quando o consciente lhe lembrava do prazo final.

Tinha tempo e insistia nessa desculpa quando o consciente lhe lembrava do prazo final

Mas agora, o tic-tac contínuo daquele relógio bagunçava-lhe os pensamentos e também os cabelos. Começava, naquele momento, a entrar na pior fase, a do desespero. E quando se está neste momento, é fato que tudo lhe pareça ocorrer de modo a lhe atrapalhar. O telefone toca, a luz acaba e um meteoro cai na cidade. E, o pior de tudo, você continua vivo e com um projeto para entregar, porque, cá entre nós, nenhuma desculpa é capaz de justificar o atraso, nem mesmo se um cachorro comeu o trabalho ou se havia trânsito na cidade por causa de um Ovni que parou em fila dupla.

Se há um prazo, é óbvio que deve cumprir. Ou deveria. Mas, sejamos honestos, estamos no Brasil. Único prazo que se cobra mesmo é o do pagamento do boleto, porque o resto, oras, sempre se dá um jeitinho. Aliás, tenho minha teoria de que Deus não é brasileiro, até porque se fosse, não teria terminado de construir o mundo em seis dias e ainda tirado um de folga. Pelo contrário, provavelmente teria pedido uma prorrogação no prazo e mais um aumento na verba.

Mas, prosseguindo, nosso amigo respirou fundo. O ar invadiu os pulmões e as ideias, a cabeça. Agarrou o celular e ligou para o chefe. Nem o esperou falar e logo foi vomitando a desculpa mais esfarrapada que lembrou. O chefe, compadecido, não pensou duas vezes antes de lhe aumentar o prazo.

- Entrega na próxima semana, disse.

Agradecido e em completo alívio, largou o celular sobre a mesa. Esse, contudo, logo vibrou. Era um amigo e o convite mais irrecusável do mundo. Já estava digitando um “bora”, quando o consciente lhe avisou de um tal projeto para terminar. Ignorou, afinal, ainda tinha mais uma semana. Dava tempo.

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.062 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Resumindo, basicamente isso.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

outubro 2017
S T Q Q S S D
« set   nov »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

galeria de fotos

Mark Twain George Carlin Mario Quintana

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.