Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #464 - 02/10/2017

O verdadeiro preço para sentir-se amado

Eu não tinha muita coisa, mas podia dar o que ele não tinha: carinho e atenção

Amanda Watanabe
Estudante de Jornalismo

Comentários
 
Dois pares de pés entrelaçados

Imagem / Amanda Watanabe

Você chega  pisando mansinho, como se só quisesse um colo, como se eu fosse sua única razão para viver depois do dia torturante naquele trabalho que seu pai sonhou pra você. Nossos olhares se cruzam e automaticamente o sorriso no canto da sua boca se abre.

Camisa amarrotada, gravata afrouxada. Sinto o dia estressante que enfrentou pela respiração de alívio ao me tocar e sentir te abraçar. Você se aconchega no meu peito e meus dedos entrelaçam seus cabelos negros cacheados, tão macios que chegam a despertar uma inveja branca em qualquer mulher.

Pais divorciados, com a mãe doente e o pai que resolveu viajar o mundo para aproveitar as 60 e poucas primaveras, deixando toda a responsabilidade nas suas costas. O dólar que não abaixa, o estoque que não gira, os funcionários não pagos em dia.

Carregar o mundo nas costas não é fácil para um jovem que acabou de chegar à casa dos 30. “Calma amor, vai ficar tudo bem, segura a minha mão que vou te guiar”, eu dizia.

Quem eu quero enganar? Não sei nem me guiar. Não importa. São as palavras que você precisa ouvir e é minha obrigação dizê-las.

Calma amor, vai ficar tudo bem, segura a minha mão que vou te guiar

Você levanta, com os olhos vermelhos por causa das lágrimas em meio ao desabafo desesperado de quem está perceptivelmente perdido. Me guia até o banheiro, nos despimos e o chuveiro jorra água. Minha sensibilidade é capaz de sentir a sua alma sendo lavada ali.

Alguns minutos em silêncio, junto água com as mãos e espirro no seu rosto, na esperança de um sorriso sair daquele semblante tão mal humorado. Aquela gargalhada sincera ecoou pelas paredes do banheiro. Missão cumprida.

As relações frágeis, desestruturadas, e com ausência de empatia me deram uma nova profissão. Dos nomes que me chamavam, “mulher da vida” foi o que mais me deixava feliz. Mas ainda assim não fazia muito sentido.

É tão promíscua a vida que encontrei pra poder me sustentar, como ousam me chamar de mulher da vida? A vida é uma coisa tão boa, eu não mereço tanto.

Mas saber que posso ser o porto seguro de alguém e receber por suprir as necessidades de atenção e afeto, me fazem orgulhar-me de ser chamada “mulher da vida”.

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.067 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

Site para exaltar a imagem de uma ex-introvertida que quer ser jornalista.

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

outubro 2017
S T Q Q S S D
« set   nov »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

galeria de fotos

Mark Twain Chico Buarque George Carlin

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.