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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #466 - 16/10/2017

O preconceito ainda reside entre nós

Prejulgamentos cometidos por aqueles que vigiam e punem a coletividade

Gabriela Medrano
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/RyanSavelly)

(Imagem/RyanSavelly)

Era sábado de madrugada e ali estávamos, dominados pela euforia momentânea que nos havia proporcionado o álcool. Na maioria das vezes eu colocava um jeans, um moletom grandão e saía para a rua. Queria me divertir sem me preocupar com a aparência. Justo naquele dia parecíamos um casal decente. Éramos eu e meu amor oriental. Bem vestidos, penteados, minha cara lavada estava coberta pela maquiagem. A outra pessoa que estava com a gente decidiu ir embora. Então, decidimos partir também.

Chegando na rotatória que levava ao caminho para casa, minha bebedeira passou ao ver tantas luzes vermelhas juntas, piscando. Pensei comigo mesma: “ferrou”. Ao mesmo tempo, que um agente acenava para que parássemos a moto, à direita.

Éramos eu e meu amor oriental, bem vestidos, penteados

Instantaneamente, um carro com seis homens estacionou atrás para não ter que dar de cara com a blitz. De nada serviu, pois o policial se tocou da façanha e saiu correndo atrás deles, enquadrando um por um, fazendo-os se apoiarem nas árvores que havia ao redor.

Foi então que uma policial continuou com o procedimento. Nós estávamos exalando cachaça e, não contentes com isso, ainda tínhamos os documentos da moto irregulares. Para ajudar, os pneus estavam carecas.

Mesmo assim, ela olhou para a gente de cima abaixo. “Por ser vocês, vou deixar  irem”, disse ela. Senti raiva e alivio, pois teríamos que voltar para a cidade vizinha a pé. Mal conseguia olhar para o rosto dela.

Me perguntei: Se eu tivesse nascido com outra cor de pele, isso haveria ocorrido? E se eu não tivesse dinheiro suficiente para me vestir daquele jeito? Eu seria considerada uma pessoa inferior?

Todas essas perguntas passavam pela minha cabeça a mil por hora. Mas o que eu poderia fazer naquele momento? Senti no olhar dela um preconceito gritante. Mas foi o mesmo preconceito que livrou a gente de perder a carteira, a moto e passar a noite em uma cela.

Como diria o Emicida: “o táxi não para, mas o carro da polícia, sim”. Só que ao contrário.

Ou quase.

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