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Saúde | Edição #466 - 16/10/2017

“O hospital tem seu lado saudável, e é ali que a diversão acontece”

Em Paranavaí, Talise Schneider coordena projeto de humanização

Gabriel Trevisan
Estudante de Jornalismo

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No ano que vem o projeto Médicos do Humor completará uma década de existência (Imagem/Reprodução/Facebook)

No ano que vem o projeto Médicos do Humor completará uma década de existência (Imagem/Reprodução/Facebook)

Talise Schneider, 30,  é moradora de Paranavaí, 74 km de Maringá. É professora de dança e diretora do Grupo de Dança Varanda e Cia. Além dessa participação na área da dança, Talise é pedagoga e fundadora do projeto voluntário Médicos do Humor.  O grupo recruta jovens para um trabalho de humanização em ambientes hospitalares, asilos e abrigos da cidade.

Iniciado no dia 8 de julho de 2008, o projeto Médicos do Humor completa uma década no próximo ano. Talise conta que já conhecia a ideia do projeto de outros lugares e, então, em uma roda de conversa com mais três amigos, decidiu trazer a ação voluntária para a cidade.

As seletivas para o trabalho voluntário começaram no ano seguinte(2009). Em entrevista para o Painel RPC(Globo), Talise disse que no começo havia “uma certa resistência” por parte do hospital com a ideia de levar um palhaço à quele lugar.

No projeto Médicos do Humor, os participantes  entram na brincadeira de serem “Doutores da Alegria”. Não qualquer doutor.”Besteirólogos, com direito à formação na UniBesta.”

O Projeto “Médicos do humor” Existe desde julho de 2008. Praticamente uma década. Ao longo desse tempo você e os outros “médicos” já se depararam com centenas de histórias. Quando se fala em Hospital Santa Casa de Misericórdia[onde é realizado o projeto] qual é a primeira história que vem à sua cabeça?                                                                                                      São tantas histórias que é difícil elencar só uma. Quando a gente pensa em uma história dos médicos a gente quer contar a nossa história mesmo. É quase uma década de projeto, de encontros e cada encontro trás consigo uma história. Não só a história do paciente, do profissional de saúde, do colaborador que esta lá dentro da Santa Casa mas a história também dos próprios voluntários. Por aqui passaram vários voluntários nesses anos todos. São várias histórias incríveis. Nós temos histórias tristes, felizes mas temos histórias. A gente pode definir como a melhor história dos médicos a nossa própria história. A história de cada encontro que é realizado todos os domingos há quase uma década.

Em entrevista para a RPC em julho deste ano, você destacou uma ausência de humanização na relação médico/ paciente. O que/ quem você vê como responsável por essa ausência?                                                                    Quando falamos de humanização, temos que pensar no homem como um ser social. O que a gente percebe é que falta amorosidade. Falta sentimento. Falta empatia. Falta se colocar no lugar do outro. Quando a gente fala em humanização no ambiente hospitalar, essa relação é a principal, a relação do médico-paciente. O que a gente precisa é melhorar essa relação que existe entre nós. Entre os seres. Para que essa melhora aconteça, vem da formação do próprio homem. Da formação do homem de bem, da sua moralidade, do seu desenvolvimento intelectual.

O Doutor Palhaço quebra a lógica dos pensamentos relacionados ao ambiente hospitalar

Doutora Nicoleta(personagem de Talise Shnaider como “Doutora da Alegria”) foi a primeira “médica registrada” no projeto Médicos do Humor. De onde você tirou inspiração para montar essa personagem?                            Doutora Nicoleta surgiu há mais de 10 anos. Resultado de muita pesquisa e de um amor imensurável pela arte do palhaço. A inspiração veio da possibilidade que vi no palhaço, personagem capaz de estar em diversos palcos, que saiu do circo, que está no teatro, na rua, nas penitenciárias, nos hospitais. O palhaço é capaz de subverter junto às crianças, por isso me inspira. O palhaço cria um mundo no espaço vazio, a Nicoleta me transporta para esse mundo novo.

Você e os outros mais de 30 participantes do projeto estão sempre em contato com situações delicadas, como, não fazer barulho em um ambiente impróprio(hospital); Diferentes realidade sociais dos pacientes; Diversas patologias. Como os “médicos do humor” são escolhidos?                              Para participar do projeto, os interessados participam de uma seleção. O projeto é formado por voluntários e não tem fins lucrativos. Por isso, todo trabalho de visitas não é remunerado financeiramente. São admitidos por processo seletivo que ocorre anualmente. Os requisitos para admissão são: Idade mínima de 15 anos e disponibilidade aos fins de semana. As habilidades artísticas são desenvolvidas durante as aulas teoricas e práticas, onde criam um personagem dentro da estrutura de Clown[palhaço], com carga horária de 100 horas, ministradas por mim e pela psicologa.

O projeto “Médicos do Humor” tem o objetivo de “transformar o ambiente hospitalar”. Estar em contato com esse ambiente que é, geralmente, associado à ideia de tristeza e sofrimento, como mostra a dissertação do mestrado intitulada “Afetividade na relação paciente e ambiente hospitalar”. É algo instável para o emocional, tanto dos pacientes quanto para os voluntários que atuam no projeto. Existe algum tipo de acompanhamento psicológico com os participantes?                                                Na realização desse trabalho direto com pacientes hospitalizados existe a necessidade de se ter profissionais qualificados, que tenha um diferencial que os capacitem para esse ambiente hospitalar. Por isso, antes da intervenção, os voluntários recebem acompanhamento psicológico, aliado à aulas teóricas e práticas da estrutura de Clow.

Existem diversos projetos que fazem intervenções no ambiente hospitalar. Alguns usam fantasias de super-herói, personagens de desenhos animados,entre outros.  O que faz com que você veja o palhaço como uma boa opção?                                                                                                                                O Clow surpreende por estar em um ambiente tão oposto ao que estamos acostumados a vê-lo. O Doutor Palhaço quebra a lógica dos pensamentos relacionados ao ambiente hospitalar, assim, abre espaço para que os pacientes e demais pessoas, percebam que o hospital tem seu lado saudável, e é ali que a diversão acontece.

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