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Literatura | Edição #466 - 16/10/2017

O dia em que descobri meu verdadeiro nome

Na tarde do dia 10 de outubro, descobri como realmente era chamada

Bia Fortunato
Estudante de Jornalismo

Comentários
 
Imagem/ Gabriel Amaral

Imagem/ Gabriel Amaral

Fui feita com muito carinho pelo meu criador. Fique sabendo que sou usada por militares, gente de bem. Não via a hora de alguém vir me buscar para trabalharmos juntos, protegendo as pessoas.

Um belo dia uns homens com fardas vieram me pegar. Estava muito animada, pois sabia que meu trabalho começaria ali. Assim que saí da minha antiga casa, achei que ia para o Exército, mas meu destino final foi num morro, um lugar bem alto e cheio de gente.

Fui entregue, bem escondidinha, para um moço. Ele disse que estava planejando algo grande para mim. Eu estava muito animada, não via a hora de ser usada.

Eu via sempre os homens fardados, aqueles que me trouxeram pra cá. Eles conversavam com meu dono aos sussurros, não entendia direito o que eles queriam. Só sabiam falar de uma tal de invasão. Quem era essa afinal? Uma nova amiga?

No outro dia vi mais homens de farda, esses pareciam maus. Gritavam para todos os lados, palavras que eu não conseguia entender. Rapidamente percebi que meu dono não gostava deles. Era barulho em todo canto. E minhas amiguinhas eram usadas. Para onde elas iam afinal?

No meio desse barulho todo meu dono correu comigo. Fomos parar num lugar muito alto. Lá de cima eu conseguia ver crianças correndo, adultos se escondendo e pessoas se abaixando. Será que era uma nova brincadeira? Quero brincar também.

No meio dessa gritaria toda eu descobri meu nome. Eu me chamo bala. Bala perdida.

Ouvi gritos muito altos, eram os homens de farda se aproximando. Meu dono já tinha preparado tudo. Fui colocada dentro de um lugar escuro. Eu ia trabalhar também, estava tão animada.

Aconteceu alguma coisa, eu agora já não via mais nada. E antes que pudesse tentar entender qualquer coisa, meu dono me jogou para fora.

Uau, eu estava voando. Durante o trajeto vi muitos pássaros, morros, pessoas, praias. Vi até o Cristo de braços abertos.  Percebi que estava descendo, na minha mira vi uma menininha de cabelos loiros, linda. Meu dono era mesmo muito bom, em vez de trabalhar eu ia brincar.

Percebi que encostei nela, era tão quentinha. Cheguei no coração e rapidamente ele adormeceu. Será que eu não era legal? Não estava entendendo mais nada. A menininha já não queria mais brincar comigo, estava parada, parecia sem vida.

Até que ouvi pessoas gritando. E no meio dessa gritaria toda eu descobri meu nome. Eu me chamo bala. Bala perdida.

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

MAURO MARTINS DO NASCIMENTO disse:

Ótimo texto, porém direcionado…
“Imprensa Sencionalista”

Marjorie de Carvalho Lopes disse:

Muito boa a matéria. Gostei da forma que abordou a grande realidade dos morros nad grandes cidades de forma leve.

Adenilson Martina disse:

Parabéns. Ficou muito bom. Amei.. Super Talento.

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