Cesumar - Centro Universitário de Maringá

Jornal Matéria Prima

 
  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #468 - 30/10/2017

Minha estrutura esférica está cinzenta

Só escuto os gritos, mas ninguém escuta que eu estou gritando assustada

Janaína Lopes
Estudante de Jornalismo

Comentários
 

Me chamo Terra. Não sei exatamente como fui criada. Vozes que habitam dentro de mim dizem Big Bang; outros, que alguém me fez surgir. Não consigo entender. As vozes estão sempre umas contra as outras. Tanto barulho que não chego à conclusão alguma.

Destaco-me pela imensidão azul e verde fortes, por existir vida em mim. Durante algum tempo tudo era colorido, essas vozes dentro de mim se respeitavam. Mas teve uma época que fui ficando cinzenta, essas vozes faziam guerras dentro de mim, era uma tortura. Parecia que estavam tentando dominar uma parte da minha estrutura esférica.

Em cada canto meu acontece um turbilhão de coisas. Essas vozes por dentro estão com atitudes doentes e estão me adoecendo. Estou sempre tossindo com a fumaça poluída. Às vezes acho que sou o próprio forno de tamanho aquecimento que sinto. O calor é tanto que em algum canto de mim estou derretendo geleiras. Fico incomodada, pelo tanto de lixo que essas vozes produzem e deixam jogados por ai.

Estão acabando comigo. Me devastando. Me transformaram em um lugar sem paz

Até se importavam mais comigo, mas o tempo foi passando e conseguia ver dentro de mim umas luzes, toques musicais. As vozes diziam: tecnologia. Achei que isso poderia ajudar a melhorar, mas essas vozes ficaram mais tolas.

De tempos para cá, tudo está ficando cinza novamente. Noto que lugares em mim estão desmoronando. Entulho sobre entulho. Dentro de mim têm atentados, eu escuto as vozes gritando socorro. Vozes mais delicadas, infantis, chorando de desespero, e logo se calam. Será que ninguém escuta? Isso me assusta muito.

Sinto um cheiro de gasolina e, em seguida fogo, gritos, choros seguidos de silêncio mútuo, e uma grande tristeza me domina. Em outro canto tem um som muito maneiro tocando, pessoas rindo, aparentando estar felizes.  Mas depois ouço tiros e passos rápidos, como se estivessem correndo, e novamente gritos.

Não suporto mais esses gritos de desespero, estão acabando comigo. Me devastando. Me transformaram em um lugar sem paz. Só escuto os gritos, mas ninguém escuta que eu estou gritando. Da forma como está, não consigo me tornar um lugar melhor.

Imagem/Pixabay

Imagem/Pixabay

Discussão e comentários »

Não há comentários | Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

* Copie a Senha gerada. *

* Digite ou cole senha aqui. *

37.124 Spam Comments Blocked so far by Spam Free Wordpress

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

sobre o autor

"Assumindo o meu lugar. Venham as nações." (Hugo Santos)

ver mais posts do autor »

 

Notícias

 

Calendário

outubro 2017
S T Q Q S S D
« set   nov »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

galeria de fotos

Mark Twain George Carlin Cazuza

enquete

Você gostou das edições do JMP deste primeiro semestre?

Ver Resultados

Loading ... Loading ...
 

Jornal Matéria Prima é produzido por alunos do curso de Jornalismo do Centro Universitário Cesumar - UniCesumar - na disciplina Técnica de Reportagem.

 

Publicado com WordPress / Laboratório de Notícias

Proibida a reprodução sem autorização do autor ou da Unicesumar

©2011-2018 Jornal Matéria Prima. Todos os Direitos Reservados.