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Literatura | Edição #464 - 02/10/2017

Ele foi convidado para a festa no céu

Não conseguia me mover, as lágrimas caíam depressa dos meus olhos

Isabella Higa
Estudante de Jornalismo

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(Imagem/ Arquivo pessoal Isabella Higa)

(Imagem/ Arquivo pessoal Isabella Higa)

Era dia de festa, 7 de março de 2004. Eu completava mais um ano de vida. Como de costume, minha família me acordou bem cedo para cantar o “Parabéns a Você” totalmente fora de ritmo, mas era uma melodia que me embalava com muito amor. Meu pai me levou na melhor padaria da cidade e minha mãe até me deixou comer bolo de brigadeiro às 8 da manhã. Meu avô não conseguia parar de sorrir a me ver realizando todos os meus desejos de aniversário.

Eu completava 6 anos de idade e aguardava ansiosamente por aquela festa como se fossem os meus 15 anos. Compramos os últimos itens que faltavam e eu queria que anoitecesse depressa para ver os convidados chegando.

Minha mãe fez minha comida preferida: lasanha com muito queijo. Como sempre, sentamos à mesa e agradecemos pela refeição. Quando terminamos de comer, meu avô se levantou sem que eu percebesse e foi em direção ao quarto. E todos me observavam, esperando ele trazer uma enorme caixa embrulhada com fitas cor de rosa.

Meu choro foi silencioso por longos minutos. Ouvi passos se aproximando, eram os meus pais

Como meu avô estava demorando demais, minha mãe pediu para que eu fosse até o quarto. Subi os degraus da escada, dando pulinhos de alegria até chegar ao quarto dele. A porta não estava totalmente aberta. A primeira coisa que vi foi que a poltrona marrom com o couro desgastado estava vazia. Havia um silencio profundo. A enorme caixa embrulhada com fitas cor de rosa estava jogada no chão.

Não entrei no quarto, não conseguia me mover, as lágrimas caíam depressa dos meus olhos. Meu choro foi silencioso por longos minutos. Ouvi passos se aproximando, eram os meus pais. Eles entraram no quarto, correndo, a porta se abriu tão rápido que eu não consegui tapar meus olhos.

Meu avô estava com a camiseta branca coberta de sangue. O medo invadira meu peito. Lembro que ele sempre teve muito medo de morrer. E ela, a morte, chegou. Repentina e fatal no dia do meu aniversário. Sete de março de 2004, o dia que celebramos a vida e vimos a morte de perto.

Discussão e comentários »

Um comentário | Deixe seu comentário

Rosiene disse:

Oi bela eu me lembro muito bem de tudo isso como se fosse hoje
Bjs minha querida ele sempre te amou e sempre vai te amar onde ele estiver

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