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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #468 - 30/10/2017

Corra para ser um herói… ou covarde

Havia uma rua com muitas casas em reforma e ali eu já senti algo ruim

Allan Cavalcanti
Estudante de Jornalismo

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Enfim, tinha chegado a melhor época do ano, as férias. Fui para Santa Catarina, na casa de um amigo. Assim que cheguei, descobri que haveria uma festa de aniversário para a irmã mais nova dele no fim de semana, no mínimo, setenta pessoas estariam ali. Nós eramos dois moleques de férias. Você não achou que a gente fosse ficar dentro de casa?! Ele me chamou pra irmos há uma fábrica abandonada. Pegamos, então, nossas bicicletas e partimos. Chegando perto da fábrica, havia uma rua com muitas casas em reforma e ali eu já senti algo ruim. Mil coisas começaram a passar pela minha cabeça. Parei a bicicleta mas meu amigo continuou. Quando ele chegou no fim da rua, gritou pra mim

Ei, o que você tá esperando? Vamos logo.

Nós eramos dois moleques de férias.

Você não achou que a gente

fosse ficar dentro de casa?!

Imagem / Allan Cavalcanti

Imagem / Allan Cavalcanti

Um cachorro começou a latir, muito alto, mas ele continuou insistindo para que eu fosse. Eu relutante, fiquei parado. De repente dois cachorros, enormes, saltaram em direção a ele e o derrubaram no chão. Eu tentei ajudá-lo mas um terceiro cachorro apareceu e correu atrás de mim. Então, saí o mais rápido que consegui sem nem olhar para trás e disse “Meu Deus, meu Deus, o que eu fiz, ele deve estar morto agora”.

Voltando para casa, já não tinha mais forças para pedalar e estava desesperado para chegar e contar o que tinha acontecido. Mas, sempre parece que quanto mais você quer chegar, mais demora. Chegando na festa, todos começaram a perguntar aonde ele estava e eu realmente fiquei muito desesperado e sem saber como contar aos pais dele que cachorros o comeram. Então, cheguei à casa chorando e gritei “Meu amigo morreu”. A mãe dele desmaiou e todos na festa entraram em desespero também. O pai do meu amigo, pegou a bicicleta e saiu da casa desesperadamente, atrás do filho. Algumas pessoas que estavam na festa também pegaram seus carros e o seguiram.

Depois de muita comoção, as pessoas se abraçando e a mãe do meu amigo inconsolável, o próprio encosta a bicicleta no portão e diz “ei, o que tá acontecendo aqui”? Todos me olharam como se eu fosse um dos cachorros. A mãe o abraçou tão forte até ele ficar roxo. Quanto a mim… Nunca mais fui convidado a voltar lá.

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Audaciosamente indo aonde nenhum homem jamais esteve.

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