Cidade | Edição #467 - 23/10/2017

Ceramista ensina crianças a fazer arte

Silvia Sanches oferece aulas semanais na Oficina Cerâmica Cotidiano

Adevanir Rezende
Estudante de Jornalismo

Silvia Sanches, 46 anos, formada em Letras, seguiu por outros caminhos e desde 2006, é ceramista. Contudo, juntando as duas atividades, em 2013 começou a ministrar aulas de cerâmicas para crianças no mesmo ateliê em que trabalha, localizado na avenida Cerro Azul, Zona 2, região central de Maringá.

Com um hobby por aquarelas, encontrou a cerâmica com uma professora e, desde então, Silvia demonstra paixão por produzir e conhecer mais sobre uma arte cheia de particularidades e que, agora, é a principal atividade dela. “A cerâmica é temperamental”, declara.

Em 2013, começou com as aulas para as crianças. Segundo ela, a motivação é o perfil das crianças que “não têm barreira” para o aprendizado e o experimento. “Plantar uma semente para as crianças crescerem com outro olhar para o mundo”, reflete Silvia.

As aulas acompanham todo o processo de produção de uma peça, do conhecimento do material até a última queima e esmaltação. Além da parte prática, há também um trabalho de pré-produção, que torna o aprendizado lúdico e multidisciplinar. “Com o tema Frida Kahlo, ficamos dois meses em pesquisa e estudo”, explica. Por fim, cada criança produziu um “amigo imaginário” inspirado pelas cores e técnicas. A logomarca da oficina é originada desse trabalho.

Do projeto à peça pronta para exposição; Antonela tem 7 anos (Foto: Adevanir Rezende)

Do projeto à peça pronta para exposição; Antonela tem 7 anos (Foto: Adevanir Rezende)

Considerando todas as etapas de planejamento e produção, mesclam-se conteúdos de desenho, matemática, química, física, história e literatura, em alinhamento à correntes como a Pedagogia Waldorf, que é fundamentada em integrar, de forma holística, o desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico.. Silvia discute o espaço que o ensino mais lúdico ainda luta para conquistar e ainda se prende a formas antigas. “Uma criança hoje em dia estuda do mesmo jeito que a minha avó estudava, sentada numa carteira respondendo perguntas”, critica.

“Aplicam conhecimentos da escola para a cerâmica, além de desenvolver a percepção e coordenação. Fazer pesquisas, conhecer arte, vai além de simplesmente fazer a cerâmica”, é o que diz Valéria Calderelli, que tem duas filhas participando da oficina há 3 anos.  Para outra mãe, Aletheia Sartorelli, em relação a filha de 7 anos, nota que “a paciência melhorou. Entender o processo de criação da peça é importante para saber esperar o resultado final”, declara.

É admirável as crianças que ficam aqui, estimulando a paciência

As crianças produzem pensando e criando, a partir de desenhos feitos por elas e, a partir disso, Silvia orienta as etapas do planejamento. Um trabalho longo até o resultado final e, por isso, “é de tirar o chapéu as crianças que ficam aqui, estimulando a paciência”, conclui. Uma das histórias contadas é de uma aluna que decidiu fazer um colar no formato de coração de presente de aniversário para a melhor amiga. Silvia conta que “apesar da vergonha inicial pelo embrulho menor, no fim todo mundo admirou o trabalho. Esse sentimento de realização e reconhecimento é importante para ela e também para mim”.

As turmas são abertas para, no máximo, sete crianças, sem períodos fixos. Há uma exposição anual, sempre temática, e as crianças ficam com as peças produzidas. “O aprendizado delas é a maior recompensa”, confessa Silvia.

Um dia de aula com a mão na massa para produzir as peças (Arquivo: Oficina Cerâmica Cotidiano)

Um dia de aula com a mão na massa para produzir as peças (Arquivo: Oficina Cerâmica Cotidiano)


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