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Literatura | Edição #463 - 25/09/2017

Uma linha para escrever uma vida toda

Pouco demais para descrever a grandeza da existência de alguém

Weverton Klein
Estudante de Jornalismo

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(Ilustração /Weverton Klein)

(Ilustração /Weverton Klein)

De todos os grandes desafios que já havia enfrentado em pouco mais de 20 anos de vida, aquele foi um dos quais mais lhe assombrou. Uma linha. Apenas uma única linha para descrever o ser que o espreitava diante do reflexo do espelho. Lhe pareceu pouco e de fato era. Uma linha era demasiado pequena para descrever a grandeza da existência de uma pessoa, para escrever sobre todas as convicções e até mesmo as contradições.

Mesmo assim, fez alguns rabiscos no papel de coisas que saíam da fértil imaginação. Porém, nada lhe agradava. E quando agradava, extrapolavam o limite. Tentou lembrar de alguma letra de música ou de alguma frase que tivesse lido em algum para-choque de caminhão ou num post de Facebook, mas nada também. Sentia ser mais do que isso e de fato era.

Ele era cada gota de lágrima derramada durante as madrugadas de insônia, mas também era cada sorriso partilhado aos amigos. Era os passos dados, até mesmo os infalsos. Contudo, também era os momentos estáticos, sem saber por qual caminho seguir ou se queria realmente seguir. Era a roupa abarrotada que vestia, assim como a nudez que sentia quando os olhos se cruzavam com os de um estranho qualquer. Era o olhar que fugia, mas também aquele que não deixava nada lhe fugir.

Havia momentos que pensava ser tudo, já noutros se sentia nada. Quando era tudo, mostrava ao mundo sem pudor. Agora quando era nada, escondia-se num silêncio intimidador. Aliás, o silêncio dele era o manto que cobria as faces dos monstros. Era água profunda que abraça ilha e afugenta os velejadores covardes, mas que também é aventura aos que nada temem. Era pele falsa que esconde as imperfeições da face.

As máscaras sempre haverão de existir enquanto a aparência diante do caráter se sobressair

Contudo, sempre o que podia mostrar ele deixava fluir. As máscaras sempre haverão de existir enquanto a aparência diante do caráter se sobressair. Pois ele era e sempre será um ser sem face. Obra do acaso, (d)efeito do momento. Ora pobre e imundo demais que nada pode mostrar. Ora riqueza plena e farta que se permite partilhar.

De fato, ele era tudo isso e talvez um tanto mais. Por isso, depois de uma quase eternidade rabiscando aquele papel, sem encontrar algo que fosse meramente plausível, abandonou a caneta sobre a mesa e questionou ao amigo do lado:

- O que escrevo?

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