Literatura | Edição #461 - 11/09/2017

O desconhecido com intenções confusas

Momentos de um encontro com o estranho que tinha objetivos ruins

João Henrique Belli
Estudante de Jornalismo

(Ilustração/Rosane Barros)

(Ilustração/Rosane Barros)

Voltava para casa em uma noite de quarta-feira que parecia comum,
mas se revelaria diferente. Após percorrer boa parte do caminho de volta,
reparo em um homem olhando em minha direção. Ele estava
parado no ponto de ônibus e quanto mais eu me aproximava, mais ele me observava. Quando cheguei perto dele, o homem, em tom sério, me perguntou:

- Que horas são?

Nesse momento deduzi que a pergunta tinha segundas intenções. Ele queria que eu olhasse o celular e, dessa maneira, poderia pegá-lo. O clima ficou pesado e o silêncio pairou por alguns segundos, até que eu respondi:

- Não sei o horário.

Pulsação acelerada, tomei a decisão de falar com aquele homem

Irritado por não ter conseguido o que queria, o homem intimou que eu
sentasse no banco do ponto de ônibus, ao lado  ele. Minhas pernas travaram e já não conseguia mais falar. Pensei em sair correndo, mas me
segurei e pensei que me entregar ao desespero não iria ajudar.

Após alguns segundos de silêncio, reuni forças e disse:

- Não vou me sentar!

O desconhecido ficou tenso e intimidado. Aproveitando o nervosismo dele, saí andando em direção à minha casa.

Alguns metros adiante o homem me alcançou e, bem mais calmo, disse que havia mudado de ideia e não iria mais me roubar:

Só quero conversar.

Pulsação acelerada, nervosismo nos olhares de ambos, tomei a decisão
de falar com aquele homem. Voltei ao ponto de ônibus com as pernas ainda bambas e disse:

- A gente conversa com toda tranquilidade, desde que você não venha com graça.

O desconhecido me olhou atentamente e garantiu:

- Não farei nada, palavra de homem.

Era outra mentira. O desconhecido puxou uma faca e tentou me apunhalar. Consegui desviar e saí correndo como se aquele fosse o último dia de minha vida. A lua cheia iluminava o caminho da rua escura e deserta. Cheguei ao prédio onde morava e o porteiro, vendo meu desespero, disse:

- Está tudo bem, palavra de homem.

 


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