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  • Última Edição: #462 | 18/09/2017 - Ano XVIII
 
Cultura | Edição #461 - 11/09/2017

“Mexo com motor e faço arte”

O mecânico José Carlos Amaral reaproveita sucata que seria descartada

Isabella Soares
Estudante de Jornalismo

Comentários
 
Amaral divide o tempo entre consertos mecânicos e criações (Imagem/Isabella Soares)

Amaral divide o tempo entre consertos mecânicos e criações
(Imagem/Isabella Soares)

Situada a 104 km de Maringá, Barbosa Ferraz tem 12 mil habitantes e lá mora um mecânico criativo. José Carlos Amaral, 63, técnico em equipamentos agrícolas divide o tempo de mecânico com o de escultor. As obras são feitas a partir de sucata e podem ser desde as mais pequenas, com 15 cm, até as maiores, com mais de 3 m de altura.

Na criação de cada peça são utilizados rolamentos, capôs de carros, partes de computador e todo material que iria para o lixo. Ele consegue transformar um pedaço de ferro comum em uma asa de águia, por exemplo.

Na mesma oficina em que o artista José Carlos Amaral esculpe as peças, o mecânico José Carlos Amaral conserta maquinários agrícolas. É uma forma de dividir o tempo e o espaço com o trabalho e o hobby. As obras ficam espalhadas por toda a oficina e logo ao entrar nela o visitante já pode admirar cada detalhe das criações.

As esculturas são expostas em várias cidades vizinhas, como Maringá, Paranavaí, Iretama e Ivaiporã. Amaral também tem peças espalhadas por outros países, como Estados Unidos, Suíça e Japão.

Suas obras são feitas de maneira bem detalhista e fieis à realidade. De onde surge a inspiração para conseguir dar forma às peças?
Vem do gosto. Vejo uma peça, olho para ela e já penso “isso dá uma capa [de super-herói]”, por exemplo. Aos detalhes que dão vida às peças, tento me atentar a eles. A mitologia grega também me inspira muito, o Pegasus [cavalo alado] que criei foi o extremo.

Quando concentro em uma obra, fico nela até conseguir finalizar

É difícil pegar materiais que iriam para o lixo e conseguir reaproveitar, ainda mais fazer obras com tantos detalhes. Como foi começar?
Sempre gostei de arte. Tinha um amigo que era escultor e ia ter um concurso para a inauguração de um hotel em Salvador (BA), iam colocar uma escultura na entrada. Quando inaugurou o hotel Meridien, eu estava em São Paulo e quando voltei ele me disse que eu havia ganhado o concurso. Fiz ele me levar até lá para ver. Ele fez um índio, lançando uma flecha igualzinho a um índio mesmo, com a capa feita de capô de fusca. Nunca mais esqueci aquilo na minha vida e comecei a fazer, não copiando dele, mas tirando a ideia dele.

Na oficina são feitas tanto as esculturas quanto o trabalho de mecânico. Como é possível gerenciar os dois?
Mexo com motor e faço arte. Pode ter dez pessoas no meu ouvido conversando que não me distraio. Quando concentro em uma obra, fico nela até conseguir finalizar.

 

Animais e o robô são os mais requisitados nas exposições  (Imagem/Andye Iore)

Animais e o robô são os mais requisitados nas exposições
(Imagem/Andye Iore)

Por serem peças trabalhosas, precisam de uma atenção especial. Quanto tempo demora para criar as obras?
Com 15 dias eu faço um robô. O robô de 3 m de altura demorei 90 dias para construir. Vai pegando prática. Como primeira peça fiz uma miniatura em 15 dias, hoje em um dia está pronto.

As obras são expostas em várias cidades e recentemente o senhor expôs na Expoingá. Qual é a peça que não pode faltar?
Animais e o robô de mais de 3 m, mas depende de onde vai. Se é aniversário da cidade, se é um lugar rural, então vai o trator. Vai o que é relacionado à economia do município que está contratando.

Sua casa é um ponto turístico de Barbosa Ferraz. As exposições que o senhor faz são sempre sucesso. O que esperar para o futuro?
O que eu esperava já consegui. Agora só quero continuar criando minhas peças.

Discussão e comentários »

3 comentários | Deixe seu comentário

Heitor Galceron disse:

Muito boa reportagem! Parabéns a todos os envolvidos!

Ronaldo Felipe Farias disse:

Excelente matéria, parabéns!

Marcelo Mamprin disse:

Baita texto!! Parabéns!!

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