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  • Última Edição: #483 | 28/06/2018 - Ano XIX
 
Literatura | Edição #462 - 18/09/2017

Brincar e, com a mesma ternura, destruir

Virar a casa de pernas para o ar e, melhor ainda, sem culpa, é para poucos

Mariana Belleze
Estudante de Jornalismo

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Quando cheguei na minha casa (a que moro hoje, pois vim lá do Mato Grosso do Sul, depois para Londrina e, finalmente, Maringá), eu era apenas uma pequena coisinha fofa, que mal abria os olhos. Claro, um olho parecia uma jabuticaba e o outro um amendoim. Cheguei em uma casa já habitada por outra da minha espécie, só que com 12 anos a mais. Nervosa. Com ela, eu conseguia fazer o que mais gostava: gracinhas. Somos como irmãs, brigamos e brincamos a todo instante. Marota que sou, me agarrava a ela e aproveitava a carona para dar uma volta pela casa.

Ainda pequena eu era uma pestinha, já virava a casa de pernas para o ar. Destruí a mesa da sala de visitas com os meus primeiros dentinhos que estavam nascendo. Explorava o quintal como ninguém. Conhecia tudo, todos os cantos e esconderijos e nem a minha “mãe” me encontrava. Eu era tão curiosa que mexia em todos os vasos, até encontrar um lindo e grande pé de manjericão que, por coincidência, veio parar na minha barriga.

Continuo as minhas aventuras, explorando e descobrindo novos lugares e pessoas

Os dias passavam, eu estava crescendo aprontando mais e mais. Minha “irmã” já não me dava mais tanta atenção e eu me sentia solitária. Foi então que conheci um “primo”. Ele vinha de vez em quando em casa, mas fizemos amizade logo de cara. Brincávamos até não aguentarmos mais, dávamos uma pausa para o lanchinho e logo voltávamos aos afazeres, ou seja, tumultuar a casa toda. Todos em volta ficavam nos assistindo. Rolávamos, corríamos e nos sujávamos completamente até que o “primo” voltasse para a casa dele. Fiquei solitária e triste, mas sabia que íamos nos encontrar de novo.

(Imagem/ Mariana Belleze)

(Imagem/ Mariana Belleze)

Tempos depois eu quase já não me lembrava mais do “primo” até que, um dia, fui colocada no carro e passei horas lá dentro, sem saber o que estava acontecendo. Foi só depois de rodar muito que entendi o que se passava: estávamos indo até a casa dele. Quando dei de cara com o “primo”, mal o reconheci. Em nosso último encontro ele era menor do que eu. Agora estava enorme. De começo fiquei tímida e acanhada, mas como sempre, terminamos por quase destruir a casa.

E eu continuo as minhas aventuras, explorando e descobrindo novos lugares e pessoas como qualquer um. Prazer, eu sou a Molly.

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