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Literatura | Edição #462 - 17/09/2017

A mão estendida era um sopro de vida

Setembro, o que era preto e branco passou a ser a luz reconfortante da vida

Janaína Lopes
Estudante de Jornalismo

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Fazia tempo que não sabia o que estava acontecendo. As coisas saíram do meu controle, parece que tudo estava mais pesado, estava estranho. No trabalho, o chefe me via como uma máquina. Eu fazia mil coisas ao mesmo tempo. A professora de dança não entendia que eu não estava conseguindo organizar o meu tempo e praticar. Era crítica atrás de crítica. Eu não conseguia, mas não porque não queria. Eu só não estava mais tendo o controle da minha vida, dos meus pensamentos.

A faculdade tinha perdido o sentido diante das provas e trabalhos e as pessoas caçoavam quando eu dizia que não estava aguentando mais. Dentro de mim havia um incômodo que chegava a doer. Meu corpo já não correspondia a minha mente.

Tudo tinha perdido o sentido, então decidi acabar com o que as pessoas chamavam de vida

Certa vez me machuquei acidentalmente, cortando legumes, e vi que de certa forma era uma dor que mascarava aquela que eu estava sentindo por dentro. Então comecei a me mutilar, tomar quantidades excessivas de remédios. O choro saia como se não houvesse amanhã, e provavelmente não haveria. Tudo tinha perdido o sentido, então decidi acabar com o que as pessoas chamavam de vida.

Terça passada foi o dia escolhido, mas uma colega de turma percebeu algo errado em mim. Conversou comigo. Então contei tudo a ela, que me acolheu.

(Imagem/Amanda Watanabe)

(Imagem/Amanda Watanabe)

Percebi que até então eu teria medo de me abrir para as outras pessoas, pelo fato de muitas delas não levarem a sério o meu desabafo. Se fizesse o que estava na minha cabeça, não teria a oportunidade de experimentar uma vida com sentido. Aquela sufocante dor por dentro não sairia por meio dos meus cortes, e o choro iria cessar em breve. Estendeu-me a mão e pela primeira vez não me senti julgada e incompreendida. Mesmo ela não entendendo o que eu sentia por dentro, eu não estava mais sozinha.

Devia mesmo era deixar morrer aquilo que me amedrontava, em vez de me render à fraqueza e aniquilar meus duros suspiros de cada dia.

Era difícil, mas de novo, eu não estava mais sozinha, podia dar um passo e me libertar do que me prendia e dançar livremente com minhas cicatrizes. O fardo já não estava mais extremamente pesado.

Quando tudo era preto e branco, eu vi naquelas mãos estendidas uma luz reconfortante. Era a ajuda que eu estava gritando em desespero. Era setembro.

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