Literatura | Edição #458 - 14/11/2016

Ser feliz com pouco é muito mió de bom

A simplicidade é a essência mais bonita e a fórmula mais perfeita para conseguir ser a melhor amiga da felicidade

Leticia Freitas
Aluna de Jornalismo

Não é que eu seja menos ou ame coisas pela metade. E nem que eu faça pouco caso. Acontece que eu prefiro mil vezes aquele vestido preto básico do que aquele extravagante de paetê dourado. Já diziam os estilistas: “menos é mais”. E eu sou dessas. Nunca quis o carro do ano e nem ter o celular de última geração. Nunca quis ir à Disney aos 15 anos e nem esperar pelo príncipe encantado no cavalo branco.

O melhor presente foi a maquete com as nossas fotos (Foto: Leticia Freitas) [1]

O melhor presente foi a maquete com as nossas fotos
(Foto: Leticia Freitas)

Na verdade ele chegou a cavalo, sim. Mas era marrom, velho e todo desajeitado. Ele com a camisa meio rasgada e o jeito simprão de ser. Ele não curte muito me chamar de “minha princesa”, ele prefere mais o “bixão” ou “polaca” mesmo. Ele não é muito a fim de lugares chiques e muito menos de playboy bancando o mala. Também não curte esse tal de eletrônico, não. Gosta de modão xonado, pinga barata e amendoim. Ele gosta também de me agradar. O tempo todo. Já me deu roupas novas, me levou para jantar e até me deu uma bota, mas o presente que eu mais gostei foi a maquete que ele fez com as nossas fotos.

Felicidade é acordar todas as manhãs com o grito da minha mãe: ‘vem tomar café!’

Para mim, o “homem ideal” é aquele que, com coisas simples, completa o seu dia, te deixando cada vez mais íntima da felicidade. Felicidade é acordar todas as manhãs com o grito da minha mãe: “vem tomar café!”. Felicidade é saber que o meu pai está lutando mais um dia no trabalho. Felicidade é começar a entender as frases mal construídas dos meus irmãos mais novos. Felicidade é ser. É viver. É tudo aquilo que Deus me permitiu fazer ontem, hoje e que vai me permitir fazer amanhã.  E o “homem ideal” é como se fosse um suplemento ou aqueles copos de café durante o dia. Sustenta, acorda e anima.

Eu sonho com pouco: casa própria, três filhos e um marido que me ame. Sei que para chegar até lá vou passar por muita coisa. Dívidas no banco, pagamento de aluguel e transporte coletivo. Mas sei também que hoje estou vivendo. Acordei com a minha mãe gritando e com a mensagem do homem de camisa rasgada, dizendo: “é bixão, cê é a muié da minha vida”.

Quero comer o almoço d’onté e jantar macarrão instantâneo. Afinal, não quero ir a um restaurante caro para falar difícil e tirar foto para o Instagram. E muito menos quero comer pouco. Esse tal de ratatouille e crémee bulée não mata a fome de ninguém, não. Sou mais um prato de arroz, feijão e ovo frito. Quero continuar com essa simplicidade e ser feliz “pra mai de metro”. E vou dizer procê: ser feliz com pouco é muito mió de bom.


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