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Cultura | Edição #457 - 07/11/2016

“Hoje é mais fácil lidar com o fato de ser gay”

O youtuber Lucas Feuerschutte, mais conhecido pelo canal Luba TV, conta um pouco mais sobre como tudo começou

Natalia Sanches
Aluna de Jornalismo

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Quem diria que na cidade de Tubarão, em Santa Catarina, o tédio seria a causa para Lucas Feuerschutte se tornar um dos youtubers mais conhecidos do Brasil.

Dono de quase quatro milhões de inscritos e com quase 500 vídeos no YouTube, o ruivinho conquistou toda a turma (jeito carinhoso como apelidou os fãs). São vídeos cheio de carisma com os quais conquista milhares de fãs. Foi com esse mesmo carisma que Luba conversou com o Jornal Matéria Prima sobre o canal no YouTube, a turma, e também as dificuldades que, assim como ele, muita gente enfrenta ao assumir a homossexualidade.

Atualmente o Luba TV conta com quase quatro milhões de inscritos. Como surgiu a ideia de fazer um canal no YouTube e se tornar um youtuber?
O meu canal foi fruto de um grande tédio por causa da minha faculdade de psicologia. Sem ofensa aos psicólogos, adoro vocês. E também como vendedor de Crocs, em uma loja aqui no centro de Tubarão. Então, fuçando o YouTube, conheci os youtubers, aprendi que existia uma maneira de trabalhar e viver com YouTube, fui atrás disso e estou aqui hoje.

Turma é o jeito carinhoso como você começa os vídeos e chama os fãs. Assim como vários outros artistas, você tem a sua marca registrada.Tem alguma razão específica?
Quando disse turma pela primeira vez em um vídeo, não existia esse negócio de nome de fandom [ nome de fã de clube], eu acho que o único fandom que tinha nome eram os Little Monsters da Lady Gaga. Então disse turma uma vez sem querer e pegou, pegou muito, como marca mesmo. Depois fui me tocar que eu dizia turma muito por causa do último ano do terceirão, então tudo era turma. Fim de semana a gente ia ver a turma; a gente ia no cinema com a turma; tinha churrasco da turma. Na minha cabeça era tudo turma, eu acho que foi por isso que disse: “Olá turma”.

Além do Luba TV, que tem vídeos sobre o cotidiano, você tem também um canal sobre games. Tem alguma dica de jogo que está em alta?
Eu sugiro que as pessoas joguem o que lhes dá prazer, porque no meu canal gravo muita coisa que dá raiva, ou que dá susto, e raramente eu jogo coisas que dão prazer. Acho que preciso reavaliar meu canal.

Imagem/Reprodução YouTube

Imagem/Reprodução YouTube

O Luba TV já está com quase 500  vídeos e toda semana tem novidade. Como surgem às ideias?
Não queiram entrar na minha cabeça, por favor, não maliciem essa frase, mas  gosto do fato da turma me ajudar muito a criar vídeos com frases que eles mandam com perguntas. É uma interação legal, praticamente o meu canal todo, hoje, é baseado na minha interação com a turma e isso me deixa muito feliz.

No começo da entrevista você disse sobre a faculdade de psicologia, então se tivesse que mudar de profissão agora, acha que não daria certo?
Definitivamente não me imagino fazendo outra coisa. Eu acho que se um dia o YouTube acabar e a internet não existir mais, se acontecer algum apocalipse na internet, eu vou me trancar no quarto e viver de seriado e jogos. Aliás, eu espero envelhecer assim, eu vou ser muito feliz velhinho.

Gosto do fato da turma a ajudar a criar vídeos; é uma interação legal

Em um dos seus vídeos você assumiu ser homossexual e isso ajudou muitos fãs, até por conta de muitas vezes não ser uma situação fácil. O que você poderia dizer para quem está passando por isso agora?
Hoje acho que é muito mais fácil ter informações sobre como lidar com o fato de ser gay. Fiz um vídeo com a minha mãe em que a gente fala sobre isso, o nome do vídeo é “Meu filho é gay, e agora?”, e minha mãe dá a opinião dela, ela diz não foi uma notícia fácil de processar, mas que com o tempo ela foi entendendo, que é uma coisa normal e natural. E a gente fala também no vídeo que caso a pessoa pense que corre o risco de ser mandado para fora de casa ou de talvez sofrer algum tipo de violência, que não fale nada. Que tente pelo menos suportar o fato de não contar para os pai. No caso, contar para os amigos, que têm uma outra cabeça. Esperar um pouco, sair do colégio, sair de casa, aí rola uma vibe que a gente não deve tanto aos pais. Obviamente a gente deve todo amor e carinho que eles têm, apesar das controvérsias, mas eu acho que é muito mais tranquilo e muito mais maduro se você esperar um pouco para contar para eles. Pelo menos eu acho isso se você corre o risco de ser mandado para fora de casa.

Muitos de seus vídeos têm participações com vários outros youtubers que também são conhecidos. Como é essa amizade?
Muitas amizades que tenho hoje, minhas melhores amizades, surgiram por causa do YouTube. É uma raça muito estranha, muito bizarra e a gente pode compartilhar essas coisas estranhas e bizarras uns com o outros, porque a gente sabe que os outros passam pelas mesmas coisas. Isso é um pouco assim, da base da amizade. Também ter bastante coisa em comum. Tenho muitos amigos com quem não tenho nada em comum também, mas até esqueci do que tava falando.

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