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Cultura | Edição #457 - 07/11/2016

“Essa ideia de dom não existe do jeito que as pessoas pensam”

João Paulo Bragato é um jovem ilustrador que realizou um projeto de 365 ilustrações e dá aulas em curso online

Lucas Martinez
Aluno de Jornalismo

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Autorretrato criado digitalmente por João Paulo Bragato (Ilustração/João Paulo Bragato)

Autorretrato criado digitalmente por João Paulo Bragato
(Ilustração/João Paulo Bragato)

Das páginas de cadernos do colégio a capas de livros infantis e de fantasia que o trabalho de João Paulo Bragato, 18, progrediu e continua progredindo. Ex-morador de Paranavaí (distante 76 km de Maringá) e agora morador de Curitiba, o jovem é ilustrador e trabalha como freelancer há aproximadamente dois anos. Como curso superior, Bragato escolheu Design Digital na PUC (Pontifícia Universidade Católica), em Curitiba. Com um projeto de uma ilustração por dia durante 365 dias, o trabalho de Bragato foi alavancado, principalmente no Facebook. O ilustrador passou a maior parte do ensino médio no Colégio Sesi, onde teve oportunidades em relação à arte. Atualmente, além de freelancer, o jovem dá aulas de pintura digital em um curso online.

Com muita nostalgia, Bragato conta ao JMP (Jornal Matéria Prima) sobre a evolução na arte, as dificuldades no projeto de ilustrações diárias, objetivos de carreira e mais.

Ilustração/João Paulo Bragato

Ilustração/João Paulo Bragato

Você desenha desde criança. Na sua opinião, arte é para quem tem dom, técnica ou mistura de ambos?

A gente pode pensar assim: desde criança desenhar tem sido uma diversão para muitas crianças. O que muda, durante essas transições para o ensino médio e faculdade, é se a pessoa vai continuar exercitando essa diversão. Isso vai virando trabalho, você vai gostando mais de fazer. Depende bastante de você continuar [exercitando] até se desenvolver. Ao longo do tempo, conseguir perceber e mudar essa característica entre desenhar como se fosse criança e desenhar com bastante estudo. Acho que essa ideia de dom não existe do jeito que as pessoas pensam. “Você tem talento, você tem bom gosto”. Para muitas tarefas na vida algumas pessoas têm mais aptidão do que outras. Isso acontece também no desenho. Só que o que confunde mesmo é esse extremismo sobre o dom guiar totalmente a habilidade com o desenho. E não é o que acontece. Todo mundo que é artista sabe que tem que estudar bastante. A gente tem que pensar que não é totalmente dom e também não é totalmente técnica.

Você realizou o projeto de uma ilustração por dia durante um ano. Quais foram as principais dificuldades no processo e como esse projeto ajudou na credibilidade que você tem?

Ilustração/João Paulo Bragato

Ilustração/João Paulo Bragato

No começo eu tinha que ficar pensando na ideia dos dias. Um dia eu tinha que escrever as ideias ou rabiscar uma coisa, já adiantar o tema do desenho em si. Porque fazer não era o problema, eu não sabia desenhar e pintar direito [risos]. Então, não me preocupava com algumas coisas. Foi arriscando mesmo que eu consegui evoluir. A parte mais difícil no começo foi conseguir ideias, mais ou menos durante 50 dias. No final foi manter um certo ritmo, porque variavam as horas. No meio para o final do projeto uma ilustração variava entre uma hora de pintura a quatro, cinco horas. Mas, apesar de tudo, eu sempre tentava dar o meu melhor mesmo não sabendo muito o que esperar [desse projeto]. O pessoal [que acompanhava] já sabia o horário que eu postava. Ia nos grupos de comunidades artísticas do Facebook e postava lá também, além da minha página. Nada de trabalhos, nada que está acontecendo na minha vida como ilustrador aconteceria se eu não tivesse feito esse projeto.

Você faz ilustrações que envolvem tanto um universo robótico quanto um universo de fantasia. Quais são as suas principais referências e inspirações artísticas e cotidianas?

Ilustração/João Paulo Bragato

Ilustração/João Paulo Bragato

Uma coisa que eu digo bastante: mesmo quando não estou desenhando procuro sempre observar as coisas que acontecem no dia a dia, tanto na parte de fundamentos [da imagem], no caso alguma cor, alguma luz batendo alí, como na parte de alguma coisa que acontece mesmo, algum passarinho voando, uma caminhada no parque, coisas bem aleatórias. Tudo isso me inspira bastante. Sou bastante inspirado pela cultura Tolkien [J. R. R. Tolkien]: Senhor dos Anéis e afins na parte de fantasia. Gosto também da área de robôs, que me lembra bastante do meu começo, quando eu gostava de fazer muitos detalhes manuais [nos desenhos], e isso acabou se mantendo. De artistas gosto bastante de Pascal Campion, Goro Fujita e Mike Azevedo, que foi meu professor de pintura. Como referências de estudo eu uso James Gurney, que é boa referência para cores.

Você passou boa parte do ensino médio no Colégio Sesi, que tem um método diferenciado. Isso de alguma forma auxiliou no seu desenvolvimento artístico?

Nada que acontece hoje aconteceria se eu não tivesse feito esse projeto

Estava pensando sobre isso esses dias: “e se eu tivesse ficado no outro colégio em que estava?”, porque era um colégio mais voltado para vestibular, Enem e tal. Era muito forçado. Pensei sobre o tanto de pessoas que se mantiveram nesse tipo de ritmo vestibular-curso-curso-estudo-estudo e acabaram tendo essa parte artística, uma parte que a escola acaba não dando tanto valor, sendo um pouco reprimida. O Sesi me ajudou muito na parte de apoio: a galera gostava do meu trabalho, contava comigo, gostava bastante de acompanhar, tanto nessa parte de satisfação de ver o feedback do pessoal, quanto na parte de valorização, porque professores falavam comigo sobre desenho, [além de que] eu tive muitas oportunidades legais de trabalho no Sesi. O primeiro livro infantil [que ele ilustrou] eu tive oportunidade de falar com todo mundo lá, fazer divulgação, todo mundo me ouvindo super quietinho e tal. Foi bem incrível. E com certeza essas partes, que são bem pequenas na vida, cabem totalmente depois. Elas formam uma personalidade na gente, formam motivações.

Com certeza essas partes, que são bem pequenas na vida, cabem totalmente depois

Você realiza ilustrações de livros e também dá aulas de pintura digital em um curso online. Tem algum projeto futuro em mente, em relação a alguma dessas áreas?

Este ano tive a oportunidade de dar aulas em um curso online e gostei bastante da experiência. Foi a primeira vez que dei esse tipo de curso de pintura. Durante esse tempo que fiquei dando aulas pensei sobre projetos pessoais. Estou pensando em me dedicar mais a nisso. Me dedicar em dar cursos, workshops online. Eu gostei muito da experiência de poder demonstrar o que faço, ensinar o que faço e também aprender. Eu estava dizendo para os meus alunos que o truque para aprender é também ensinar. Acho que vou continuar me dedicando a essa área mesmo e também permanecer como freelancer no mercado de livros. Continuar no meu ritmo, mas dar um pouco mais de prioridade para essa área de cursos.

Ilustração/João Paulo Bragato

Ilustração/João Paulo Bragato

Seu projeto de ilustrações diárias foi realizado nas redes sociais, onde você evoluiu artisticamente e teve outras oportunidades de trabalho. Durante todo esse processo e até hoje, você notou a presença de alguns seguidores fixos, que, de certa forma, foram influenciados pelo seu trabalho?

Eu conseguia ver isso mais na época que eu estava mais ativo [nas redes sociais]. Isso varia bastante por causa do alcance das publicações. Mas sempre recebi mensagens muito bacanas de fãs, do pessoal que acompanha meu trabalho, dizendo coisas como “muito bom acompanhar seu trabalho”, “você me inspira bastante”. Essas mensagens eram mais frequentes antes, mas continuo recebendo. Eu não consigo me ver como alguém que influencia tanto, sabe? Me vejo mais como um carinha que está ali, tem muita coisa para aprender e muita experiência para passar ainda.

Gostei muito da experiência de poder demonstrar e ensinar o que eu faço

Você atualmente está com diversos trabalhos em andamento e tem certa bagagem por desenhar desde criança. Você sonha realizar algo na área ou tem um objetivo máximo?

Desde o começo, desde quando eu comecei a pintar, há mais ou menos um ano e meio, não sabia das coisas que iriam acontecer. Comecei um projeto pessoal como um hobbie, não sabia pintar, sabia mais desenhar. E aí, ao longo do tempo, vieram trabalhos pequenos, continuaram vindo, agora veio o curso. Ao longo do tempo vão surgindo as coisas que guiam esses objetivos. Veio o curso e vieram os objetivos de me aprofundar mais para melhorar o curso. Então, sabendo dessas conquistas, não acho que tenha como zerar a cultura digital, sabe, e chegar num ponto onde eu descanse: cheguei na Pixar, e pronto. Com certeza é um objetivo meu ter alguma experiência num estúdio de animação, com outros artistas, porque eu sou bem novo nesse mercado. Não tenho experiências desse tipo ainda, então, com certeza, seria muito, mas muito bacana mesmo.

Ilustração/João Paulo Bragato

Ilustração/João Paulo Bragato

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Aspirante a fotógrafo, chocólatra e corrijo erros de português mentalmente.

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