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Crítica de Mídia | Edição #458 - 14/11/2016

A mistificação das pesquisas eleitorais

Os grandes grupos de mídia insistem em divulgar dados e esquecem de qualificar a informação sobre os candidatos

Gabriel Tazinasso
Aluno de Jornalismo

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Os números e os gráficos das pesquisas eleitorais no Brasil  (Imagem/Pixabay) (Imagem/Pixabay)

Os números e os gráficos das pesquisas eleitorais no Brasil
(Imagem/Pixabay)

Assistimos de camarote à mirabolante apresentação das pesquisas eleitorais feita pela mídia. São gráficos, números e debates mostrando passo a passo o desenvolvimento de cada candidato na corrida eleitoral. Um espetáculo que ocupa o centro das atenções e o tempo dos telespectadores, ouvintes e leitores, obstruindo aquele que deveria ser o verdadeiro foco das pesquisas, o debate político.

Já virou rotina, é só chegar a hora do voto que até chamada especial nos telejornais as pesquisas eleitorais ganham. E o dia do candidato, será que não tem mais nada de importante para mostrar aos eleitores? Não que as pesquisas não sejam confiáveis, pelo contrário, segundo entrevista ao site da TV Brasil, o jornalista Rogério Pacheco Jordão afirma que há 30 anos acompanha as pesquisas e deixa claro que são em maioria, confiáveis. Mas segundo ele o direcionamento de conteúdo não deveria ser somente sobre resultados, e sim no uso que se faz dos dados coletados.

Pode-se ver que a divulgação feita pela mídia começa e termina de forma errada Basta observar o tratamento com as margens de erro. Existe a mistificação na divulgação dos dados que são colocados como certos, como se não existisse chance para o erro. Isso sem contar no tempo que a TV utiliza para mostrar o espetáculo de informações rasas. São comentários, debates sobre números, o quanto um determinado candidato subiu ou qual  porcentagem o outro candidato caiu. Convenhamos, que proveito o telespectador vai tirar disso?

A pesquisa é dividida por sexo, raça, idade, renda, religião entre outros

Pensando na grande imprensa e nos grandes institutos, existe o interesse mútuo nessa divulgação. Isso porque os grupos de mídia financiam as pesquisas e os institutos (os maiores) publicam somente o que lhes convém. Não é do conhecimento da população que a pesquisa é dividida por sexo, raça, idade, renda, religião, zona da cidade entre outros. A opinião pública deve se auto conhecer, porque as informações que são produzidas sobre as pessoas devem vir à tona para que os indivíduos sejam menos manipuláveis por esses grupos de interesses.

Em modo geral a população fica órfã de detalhes e argumentos, pois a mídia não os coloca em um âmbito razoável de informação. Assim as pessoas não participam dos debates e em maioria decidem o voto na última hora, sem saber ao certo quem são realmente e quais são as propostas dos candidatos.

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