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Cidade | Edição #459 - 21/11/2016

“A fotografia digital nos dá a condição de muita criatividade”

Vanderlei Kello Francisco Ferreira foi o primeiro a abrir uma empresa de fotos de formatura em Santa Fé nos anos 1980

Maynara Guapo
Aluna de Jornalismo

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Vanderlei Kello, pioneiro das fotos de formatura em Santa Fé (Imagem/ Maynara Guapo)

Vanderlei Kello, pioneiro das fotos de formatura em Santa Fé
(Imagem/ Maynara Guapo)

O município de Santa Fé (51 km de Maringá) é conhecido por ser a Capital da Fotografia. Tudo começou com Vanderlei Kello Francisco Ferreira, 55, popularmente conhecido como Kello, o primeiro a abrir uma empresa de fotos de  formatura na cidade. Vanderlei Kello  nasceu  e cresceu em Santa Fé  e desde pequeno era muito “branquelo”, surgindo então  o apelido adotado oficialmente junto  ao nome há 10 anos.

Empresário e sócio da empresa Kello Formaturas, teve o primeiro emprego  engajado no ramo com a missão de viajar de bicicleta pela zona rural  da região de Santa Fé, oferecendo o que no mercado costuma-se  chamar de binóculo(fotografias pequenas  que são ampliadas por uma lente, sendo, na verdade, um monóculo)  para as famílias que não tinham se quer um registro da própria existência.

Aos 13 anos foi funcionário da empresa Foto Moderna, da família Takemoto, pioneira em Santa Fé.  Virou uma espécie de “faz tudo do negócio”.

O primeiro empreendimento oficial veio em 1980 com a  fundação  da Kello Formaturas,  que oferecia  todos os serviços de fotografia na cidade, como  batizados, aniversários, bailes de debutantes e formaturas do primeiro  e segundo graus.  No início, Kello contava  com a colaboração  de apenas um funcionário mais o próprio trabalho. Hoje, o cenário é outro, a Kello Formaturas atua em todas as regiões do Brasil, com cerca de 100 funcionários.

Em entrevista ao Jornal Matéria Prima (JMP), Kello conta sobre o trabalho feito pela cidade  e  o aprimoramento profissional de novas tecnologias.

O seu contato com a fotografia existe há muito tempo. Em 1980 você fundou a Kello Formaturas.  Como surgiu a  ideia de abrir a primeira empresa na cidade?

A ideia do primeiro negócio surgiu pela gravidez da minha primeira mulher  Sônia  e a  vontade  de casar.  Na época eu tinha 20 anos  e a gravidez  foi o  estopim que me fez  pensar abrir o negócio.

Em junho de 2011, Santa Fé ganhou o portal em homenagem  ao título de Capital da Fotografia.  Você imaginava que isso seria possível?

No início, quando  comecei,  nada do que foi acontecendo  era possível.  Os primeiros 10 anos foram  de muito trabalho para  consolidar o negócio. Comecei a ter ideias de expansão  e de empreendedorismo  a partir de 1990  e depois  de 10 anos realmente  a ver a  possibilidade do que poderia fazer,  expandir o meu negócio  e também proporcionar essa expansão para algumas pessoas que estão  comigo, parentes inclusive.

O portal foi idealizado em 2007 e o título de Capital da Fotografia veio em 2011. Então, nos anos 1990 e principalmente do ano 2000 para frente, as coisas tomaram proporção diferente [âmbito nacional ], começando  a sonhar com algumas coisas.  Aí sim, vi que tudo era possível.

Na sua opinião,  com o fácil acesso   à fotografia  digital em relação a analógica  e a partir da invasão da fotografia-arte  pelos smartphones, melhoraram ou pioraram  as vendas?

Acredito que melhorou bastante.  A fotografia digital nos dá a condição de muita criatividade. O casamento e a formatura por exemplo são muito tradicionais e com o uso do digital dá para criar mais e fazer mais fotografias. Nesses últimos, anos entre o analógico  e o digital, o digital ajudou muito para que as vendas crescessem.

Em um primeiro momento pensamos que com a invasão da fotografia-arte pelos smartphones,  as vendas  fossem piorar.  Nosso negócio estava ameaçado, mas com o passar dos anos fui vendo que não há  concorrência.  Acredito que o fato de a pessoa fazer algumas fotografias  dela no momento,  são fotos que ela quer fazer do jeito dela  e não quer que um profissional  faça.  Então, o trabalho profissional feito e  o kit  de vendas cresceram.  Não vejo concorrência, pelo contrário, acredito que as pessoas ficam mais a vontade para fazer  uma série de  fotos.  Às vezes a família deseja algumas fotografias que não tem como fazermos e eles acabam fazendo.

Entre 1988 e 1994 ,surgiu a necessidade  de aprimorar  a mão de obra.  Foi durante esse período que funcionou  o Projeto Escola. Como  era esse projeto?

Chegamos  em um momento que  não tínhamos fotógrafos. Mesmo sendo da região, sobraram poucos para a nossa demanda.  Então, minha empresa com as outras, abriram uma escola de fotografia na cidade. Treinamos fotógrafos por muitos anos.  Havia uma sala apropriada com todos os recursos  e  todo equipamento necessário. Tínhamos  um profissional de recursos humanos que cuidava,  uma psicóloga  e um professor  de fotografia. Foi uma época muito prazerosa de fazer o projeto porque não tínhamos mão de obra especializada e  era necessário  trazer gente da roça para  aprender a fazer fotografia.  Eu achava  interessante isso, a pessoa vir às vezes não muito preparada  e  a gente  o preparava. Tem pessoas que começaram no Projeto Escola  e hoje  são empresários. Esse processo me faz ficar orgulhoso com o resultado.

Sem mão de obra especializada, trouxemos gente da roça para aprender fotografia

Atualmente o Projeto Escola está adormecido. Se houver necessidade, tiramos da gaveta  e continuamos.

A cidade paulista Tupã disputa com Santa Fé o título de Capital Nacional da Fotografia.  Qual diferencial que o município tem em relação à concorrente?

Tupã há pouco tempo veio se tornar a Capital da Fotografia do Estado de São Paulo, até porque Santa Fé veio fazer esse movimento político  e conseguiu  o título de Capital da Fotografia. A gente consegue  não só com palavras, tem odo  um processo político para se conseguir.  A história mesmo da fotografia de formaturas começou em 1968 em Tupã, com o seo Eizi Hirano. Tive a oportunidade de o conhecer  em 1993 fazendo negócios. Na época Santa Fé não tinha esse status que tem agora.

A amizade com ele me fez muito bem.  Convivi quase dois anos fazendo negócios que  me ajudaram nessas ideias de empreendedorismo.

A cultura do álbum ser levado pronto para as vendas permanece. Você acredita que terá outro tipo de contato futuramente?

Esse modelo vem desde 1968  e ainda vai prevalecer algum tempo. Não acredito que esse padrão vá se perpetuar por mais 50 anos, só por mais alguns anos. Já  estamos tendo alguns modelos  de negócio diferentes disso.  O mercado já está se movimentando para alguma coisa no sentido de receber antes o trabalho.  O álbum ainda é importante,   mas temos que ficar muito  atentos a um processo de mudança que já começou.

 

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